22.7.19

Crítica: Os dois filhos de Joseph

Os dois filhos de Joseph
Imagem: Pandora Filmes / DIVULGAÇÃO
É interessante como, mesmo em um filme niilista, pessimista de quase todas as formas, ainda é possível colocar certas doses de humor, tratando a melancolia do ser humano de maneira natural e orgânica.

Sem dúvida, essa espécie de união temática se concretiza de forma palpável devido as possibilidades que o cinema oferece e “Os dois filhos de Joseph” é um filme que busca isso. Dirigido e escrito por Félix Moati, a obra conta a história de Ivan (Mathieu Capella), de 13 anos e seu irmão mais velho Joachim (Vincent Lacoste) já adulto, quando o pai deles Joseph (Benoit Poelvoorde) perde o irmão.

A história se passa com os filhos ajudando o pai a superar isso, além de lidarem com as próprias questões e a tristeza que sentem. Os irmãos são carentes, solitários e lutam para suprir isso de maneiras diferentes, talvez pela diferença de idade, mas sem dúvida alguma, por serem pessoas distintas.

Visualmente, o filme mostra essa distinção muito bem, apesar de manter uma unidade fotográfica, já que os tons utilizados são os escuros, principalmente o cinza, o que potencializa o frio e tempo nublado de Paris e, principalmente, expõe a tristeza dos personagens.

Isso serve também para montagem, que divide o filme em dois arcos, estando esses ligados o tempo inteiro devido ao laço familiar. Enquanto Joachim tenta esquecer um relacionamento se envolvendo em vários outros, Ivan embarca em estudos religiosos, álcool e nas descobertas de adolescente, como os primeiros amores e as amizades.

Além, claro, da família. Ambos têm carência de amor paterno, o que unida a carência de relacionamentos amorosos de um e as dúvidas da adolescência e melancolia do outro, gera instabilidade nas relações entre pai e filhos, o que leva a eles não terem uma relação considerada ideal.

Mas isso não significa que os filhos não amem o pai e vice-versa, eles apenas não têm uma perspectiva, reparem como ninguém ali termina o que começou de fato, porém, todos terminam com um caminho a percorrer ou ao menos com uma ideia concreta do caminho a se percorrer.

O que, convenhamos, é mais do que a maioria das pessoas tem ou vai ter durante as suas vidas. O roteiro mostra muito bem como esses caminhos se abrem e usa um senso de humor interessante, apostando no niilismo e em outras correntes da filosofia para tratar a melancolia de forma leve, fazendo piadas sobre diversos temas, como o primeiro beijo de Ivan e o ultimo relacionamento sério que Joachim teve, além de usar o humor para mostrar que Joseph ainda vive, mesmo depois de mais velho, namorando e com um trabalho não relacionado a área de formação dele.

Por essas coisas, é que o final otimista fica bem encaixado mesmo que o filme seja niilista, um roteiro bem escrito, assuntos diversos e com personagens de diferentes gerações, além de um elenco ótimo – tanto os personagens principais, quanto os secundários são muito bem interpretados – ajuda em estabelecer e cumprir o objetivo que se deseja.

Logo, “Os dois filhos de Joseph” é um filme atraente, sobretudo por conseguir unir audiovisual com filosofia dentro do gênero de comédia dramática e por sua história contar um conflito entre três gerações unidas pelo laço familiar.

Veja o trailer, filme distribuído pela Pandora Filmes:

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