9.10.19

Crítica: Afterlife

Afterlife
Imagem: Divulgação
Muitos filmes falam sobre morte das mais diversas formas, seja pelo ato em si ou por falar do tema como assunto, de forma a gerar reflexões no público sobre isso, sobre morrer e sobre esse desejo de morrer, independente se ele exista ou não nos personagens da obra.

Poucos filmes falam sobre morte como “Afterlife”. Dirigido e escrito por Willem Bosch, acompanhamos a história de Sam (Sanaa Giwa), uma jovem de 16 anos que perdeu a mãe e um ano depois veio a falecer. No pós vida, além de rever a mãe, ela vê que a vida após a morte é um mundo diferente e descobre uma forma de salvar a mãe. Assim, vemos como ela tenta fazer isso, ao nascer de novo e reviver sua vida.

A obra é bem colorida e trata um assunto sério de maneira leve, focando muito mais na história e nas reflexões que podem sair dali do que na parte técnica. Não que “Afterlife” seja mal feito nesse aspecto, na verdade, muito pelo contrário. Essa cor citada está presente em tudo, nos planos, nos figurinos, na casa onde a jovem vive e claro, no pós vida.

Até nos sons essa vivacidade está presente, já que o filme não tem trilha musical, então, a escolha do diretor foi deixar os sons do ambiente fílmico mais alto, para que o público escute tudo e fique imerso na narrativa.

Essa imersão também é feita através de travellings, sejam aqueles para frente, que aproximam a câmera da personagem, ou mesmo aqueles para trás, pois o afastamento também é uma forma de aproximação, já que permite as pessoas que vejam o outro de mais longe, enxergando os detalhes de cada um.

No caso de Sam, os detalhes que Bosch faz o público enxergar são as escolhas. As escolhas podem mudar tudo, como a segunda vida dela mostra muito bem, já que as trajetórias e as pessoas envolvidas nestas, são diferentes e no caso daquelas que são as mesmas (os pais dela), algumas das atitudes tomadas são outras.

São justamente essas escolhas que mostram como determinadas coisas podem ser mudadas e outras vão acontecer independente do que nós façamos, de maneira que a única alternativa que temos é lidarmos com isso e inevitavelmente seguirmos em frente.

Talvez seja por isso que no filme, o caminho muda, mas alguns dos finais são os mesmos, pois as histórias se repetem por serem o destino, pura e simplesmente, sem mais nada de complexo por trás. “Afterlife”, ao falar tudo isso em curtas 1h30, é um filme simples, comovente, que causa empatia e mais real do que muitas “histórias reais” que vemos por aí, por mais que use como força motriz algo em que nem todos acreditam.

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