14.10.19

Crítica: Chuvas suaves virão

Chuvas suaves virão
Imagem: DIVULGAÇÃO
Crianças, na maioria dos casos sabem se comportar melhor que os adultos em diversas situações, inclusive nas de caos, já que para elas é mais fácil se unir, conversar e chegar a um acordo sobre o que fazer ou não.

Sem dúvida, a situação de “Chuvas suaves virão” é um desses momentos de caos. Após um apagão geral, todos os adultos desapareceram e só as crianças estão na Terra, assim, após Alma e seu grupo de amigos, composto por duas meninas, um menino e dois cachorros se verem sozinhos em uma viagem a praia com seus pais, eles decidem voltar para casa, de forma a ficarem com o irmão mais novo de Alma.

Apesar de parecer um filme com ação quase ininterrupta, a obra dirigida e escrita por Iván Fund, é minimalista e aposta muito mais na dedução do público do que na exposição plena dos fatos. Isso só funciona devido a curta duração do filme (pouco menos de uma hora e meia) e por ser bem dirigido e escrito.

Já que o roteiro e a direção são a base para um formato de montagem interessante, que usa cortes alternados da história com trechos de livro infantil para estabelecer ritmo e a fotografia escura é bem utilizada, já que o apagão também gerou a falta de eletricidade.

Essa escuridão da fotografia, além de expor esse último ponto, mostra como as crianças se unem para buscar alternativas, sejam as de luz, sejam as de sobrevivência. Eles nunca questionam a união entre eles, não há um líder, eles sabem que sozinhos a possibilidade de conseguirem chegar na casa de Alma é baixa e por isso, ficam sempre juntos.

Como deixa claro a câmera próxima dos personagens, sempre na altura das crianças, os enquadrando em plano médio (da cintura para cima) ou plano americano (do joelho para cima). Isso gera empatia e deixa ainda mais claro para o público que os personagens não serão tratados como adultos (como muitas vezes acontece em filmes protagonizados por crianças), eles serão tratados exatamente por aquilo que eles são.

Algo a se destacar é a trilha sonora, a parte musical da trilha quase não existe, Fund aposta no silêncio e nos sons dos ambientes, aumentando um pouco esses últimos para que o público possa escutar o que as crianças escutam e dessa forma, entender como o mundo ficou silencioso sem os adultos.

Pois, ao menos no grupo de crianças mostrado, é falado apenas o necessário. Claro que eles ainda são crianças e tem conversas tradicionais dessa faixa de idade, mas, em nenhum momento o filme perde tempo com diálogos inúteis, o que pode ter sido uma tentativa do diretor de mostrar como os adultos falam coisas desconexas e que as vezes, deveríamos ficar em silencio e aproveitar mais a vida.

E sim, mesmo estando sozinhos e tendo que assumir responsabilidades para sobreviver, as crianças no filme aproveitam a vida e não perdem sua essência. “Chuvas suaves virão” é uma obra sobre união e principalmente, sobre como nós adultos deveríamos aprender com as crianças.

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