30.10.19

Crítica: Dois Papas

Dois Papas
Imagem: Divulgação / Netflix

Na história sempre houve um grande mistério sobre como funciona o Vaticano internamente e isso aumenta em relação ao conclave, que é todo realizado a portas fechadas. É justamente nesse momento que "Dois Papas", novo filme de Fernando Meirelles começa, no conclave que elegeu Joseph Ratzinger (Anthony Hopkins), o Papa Bento XVI. Nos bastidores dessa ocasião somos apresentados a Jorge Bergoglio (Jonathan Pryce), futuro Papa Francisco.

A história se passa em 2012, alguns anos após esse conclave quando Bento XVI convoca Bergoglio ao Vaticano para conversar sem saber que esse está indo ao local com o objetivo de conseguir sua aposentadoria. Assim acompanhamos as conversas dos dois enquanto um escândalo de assédio na igreja explode na mídia.


Devido a estrutura do filme e aos diálogos entre os dois personagens principais os quais vemos em cada segundo das 2h05 de projeção, descobrimos que a intenção do roteiro é explorar a personalidade do Papa atual e do futuro, de forma que o público conheça as histórias deles.

O que funciona, principalmente no primeiro e segundo ato e em relação a Bergoglio, já que os flashbacks usados na montagem alternada expõe justamente o passado do argentino, desde sua juventude até como agiu durante a ditadura argentina.

Logo, através desse passado, o público cria empatia pelo personagem, claro que isso é por causa das coisas que ele faz, por exemplo, ajudar os pobres do bairro onde vive, usando a religião para embasar esse ato.

Mas a maior qualidade do filme está nos diálogos entre os dois personagens, que tem bons debates sobre religião, a presença de Deus na vida das pessoas, o atual estado da igreja e assuntos como futebol e música, como o breve momento que falam de Beatles.

Nesses momentos vemos o humor orgânico e até é possível dar risada de certas coisas, assim como é possível sentir raiva na mesma medida, muito devido a todas as dificuldades que o Papa Bento XVI impõe no progresso da igreja, as quais são relativas por Bergoglio logo em seguida.

Essa multiplicidade nas conversas, indo do humor para a seriedade de maneira fácil, só é possível graças às atuações de Hopkins e Pryce, cujo talento faz com que o filme só funcione com eles, acredito que a obra não seria efetiva se fossem outros atores.

Justamente pelo seu talento é possível ignorar certas coisas, como alguns cortes confusos durante movimentos de câmera, exemplo: zoom in dado em Hopkins em certa cena e cortado no meio do movimento sendo que poderia ter continuado sem problemas. Ou o fato de o filme durar um pouco demais e sobreviver de clichês no terceiro ato.

Como a cena do tango ou a rima visual entre o conclave que inicia o filme e aquele que o termina, a obra aposta neles para a comoção do público sendo que apostou na racionalidade (inclusive com fotografia naturalista e câmera parada) e no humor para o mesmo efeito anteriormente.

Assim, por se sustentar em duas atuações de primeira linha de dois atores talentosos, "Dois Papas" é um filme que funciona e cumpre bem a sua proposta, apesar de coisas pontuais que se mudadas, talvez fizessem o filme ser melhor.

Veja o trailer aqui, filme original Netflix:

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