31.10.19

Crítica: Sinônimos

Synonymes
Imagem: Divulgação
No meio a atual crise de refugiados, que envolve todo o mundo, seja como destino das pessoas ou como o lugar da qual elas desejam ir embora, um filme como "Sinônimos", dirigido e escrito por Nadav Lapid se torna interessante automaticamente.

Já que a história é a de um imigrante israelense que decide morar na França, devido a vontade de Yoav de fugir do exército, da guerra e do que esta representa para os países dos quais Israel é inimigo.


O filme usa diversos aspectos da Nouvelle Vague, movimento francês que revelou nomes como Alain Resnais, Jean-Luc Godard e François Truffaut, como a montagem e a tensão sexual entre os personagens.

Esse último ponto é uma das coisas que sustenta o filme, já que Émile, Caroline e Yoav sentem-se atraídos um pelo outro, porém, o que carrega o filme de fato é que Yoav não sabe nada de francês e usa um dicionário para aprender o idioma.

Isso fica claro pela formalidade na fala dele e por ele usar muitas palavras diferentes para a mesma coisa, ou seja, sinônimos, o que também é exposto pela narração em off. Narração que em geral é acompanhada por movimentos de câmera bem feitos e variados, que vão da câmera na mão, como por exemplo a cena inicial, até os travellings para o lado.

Esses movimentos acompanham a história do filme, que é mostrar como imigrantes têm dificuldade em se adaptar e que precisam fazer isso caso eles queiram ter chance de começar uma nova vida em um outro local.

Ou seja, a França para Yoav representa uma chance de recomeço, o que sem dúvida justifica sua dedicação para aprender francês. Porém, a questão no filme é que para essas coisas boas existem coisas ruins em uma proporção maior.

Há cenas desnecessárias, como aquela do amigo de Yoav no metrô ou a cena da balada, que apesar de ótima não tem nenhum propósito narrativo. Personagens vêm e vão sem nenhum objetivo e determinados pontos da vida do personagem ficam mal explicados, como o fato dele não falar hebraico em nenhuma hipótese.

Esses pontos tornam o filme vazio, da mesma forma que a atuação do protagonista, interpretado por Tom Mercier, pois ele não tem nenhuma expressão que não seja a cara fechada, inclusive em momentos de felicidade.

Da mesma forma que Caroline e Émile, interpretados por Louise Chevilotte e Quentin Dolmaire respectivamente, até são bons, mas fazem muito com pouco, o que revela um roteiro vazio, com um propósito claro, mas que poderia ter sido enxugado e desenvolvido melhor esses dois personagens, que são importantes para a trama do protagonista.

Logo se o filme durasse um pouco menos, talvez ele fosse mais efetivo na mensagem sobre a crise de refugiados que quer passar e assim, talvez até a falta de expressão do protagonista fosse menos perceptível.

Porém, não há como negar que o filme vencedor do Urso do Ouro no Festival de Berlim esse ano tem coisas boas e fala sobre amor, seja aquele que temos por outras pessoas ou aquele que nossa família tem pela gente, o que fica claro no reencontro de Yoav com pai.

Assim, "Sinônimos" vale a pena pela mensagem que passa, mas não pela forma que transmite essa mensagem para o público. Infelizmente, esse filme será atual por muito tempo, o que talvez tenha sido o motivo do prêmio em um dos principais festivais do mundo.

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