22.10.19

Crítica: Frankie

Frankie
Imagem: Paris Filmes / DIVULGAÇÃO
Assistir “Frankie”, dirigido e co-escrito por Ira Sachs, é um exercício de pensar nas separações pelas quais todos nós passamos na vida. Nessas situações apenas podemos lidar com as coisas, não temos controle, sempre acontece e provavelmente sempre vai acontecer.

A personagem título é uma das várias pessoas que tentam controlar as diversas separações da vida, não apenas as dela, mas também as das pessoas ao seu redor, inclusive no que diz respeito a sua morte. Ela está morrendo e convida sua família para ir passar um tempo na bela cidade de Sintra em Portugal, assim seus dois filhos Sylvia (Vinette Robinson) e Paul (Jeremie Renier), seu marido Jimmy (Brendan Gleeson), seu ex-marido Michel (Pascal Greggory) e sua neta Maya (Sennia Nanua), atendem o pedido dela.

Devido a quantidade de personagens, o filme opta por arcos individuais variados, que se ligam devido a todos eles conhecerem Frankie (Isabelle Huppert). Assim vemos esse controle que a protagonista tem ou tenta ter na vida dessas pessoas, que vai desde as coisas mais básicas como uma roupa ou adereço, até querer juntar seu filho com Ilene (Marisa Tomei) apenas por achar que os dois não devem ficar sozinhos.

O que Frankie não percebe, ou ao menos finge não perceber, já que a personagem é atriz, é que todas as pessoas ali se separam de algo, Paul se separa da cidade onde mora, já que está se mudando para Nova Iorque, Sylvia está prestes a se separar do marido, Jimmy está se preparando para perder a esposa, assim como Michel, Maya se separa da adolescência rumo a vida adulta e claro, Frankie amadurece a ideia da morte iminente.

Tudo isso é mostrado através da câmera parada e foco nos diálogos, com movimentos de câmera apenas para acompanhar as caminhadas dos personagens, isso quando alguma dessas conversas acontece na área externa do hotel. Por falar em área externa, a fotografia do filme usa luz natural na maioria das vezes, o que apenas demonstra o compromisso de Sachs em mostrar as belas paisagens do local onde o filme se passa.

Inclusive, as paisagens lembram quadros impressionistas, com cores vivas, assim como as usadas por Frankie em suas roupas, como se fosse uma forma de transmitir controle para as pessoas ao seu redor. O fato de a obra se passar durante um dia também ajuda no que diz respeito a mostrar as paisagens do local.

Bem atuado por um bom elenco, bem dirigido por Ira Sachs e com uma boa temática, “Frankie” é um bom filme, por mais que não tenha nada de fora da curva dentro de si, se tornando esquecível logo que saímos da sala de cinema.

Veja o trailer:

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Copyright © 2016 Assim falou Victor , Blogger