24.10.19

Crítica: O paraíso deve ser aqui

O paraíso deve ser aqui
Imagem: IMOVISION / Divulgação
"O paraíso deve ser aqui", novo filme de Elia Suleiman, se passa em três cidades: Nazaré, Paris e Nova York". As duas últimas localidades são grandes cidades, além de serem historicamente importantes.

Porém, essas duas cidades são retratadas como vazias, o que é justificável, pois o filme em questão é igualmente vazio. Contando a história do diretor (interpretando ele mesmo), a obra narra ele levando seu próximo projeto para avaliação de possíveis produtores.

Escrito pelo próprio Suleiman, o roteiro consegue ir do nada ao lugar nenhum em curtas 1h40 de duração, que devido a montagem parecem ser 2h30, já que muitas cenas poderiam ter sido cortadas. Como por exemplo, as dos policiais dançando no patinete ou a sequência que se passa no parque. Por um lado e isso é válido, o diretor e roteirista tenta causar riso através de situações cotidianas, em compensação, o diretor reforça estereótipos.

Uma cena que dá um exemplo desse último ponto é o momento no qual ele pega um táxi cujo motorista é negro, que quando descobre que o passageiro é palestino, para o carro e diz "você é palestino?" em um tom bobo. Imaginem se um branco parasse o carro e perguntasse "você é negro?" para um passageiro negro.

Esse tipo de situação é frequente no filme, que variam de longas cenas onde o diretor sentado no bar, olha as mulheres passando na rua, cuja câmera as enquadra de forma ginecológica, ou em cenas que ele escrevendo em seu notebook e afasta um passarinho que insiste em ficar no teclado do aparelho.

No caso dessa última cena, ela mostra como o filme não tem nenhum objetivo, a não ser o de tentar ser algo que não é e que não é possível descobrir o que é pois nem o diretor sabe. A única coisa que percebemos é que ele tem saudade da juventude, já que frequenta lugares que podem ser considerados como locais apenas frequentados por jovens, como bares, baladas e restaurantes.

Logo, se ele tem saudade da juventude e retrata determinadas coisas de maneira que reforça estereótipos, é possível entender que nessa época da vida ele seguiu esses estereótipos com frequência.

Se isso é a única coisa que se pode deduzir de um filme que é considerado uma homenagem a Palestina (como dizem o início dos créditos de encerramento) e que leva no título a palavra "Paraíso", duvido que essa obra ajude de alguma maneira na causa que já dura tanto tempo.

Principalmente porque não há nenhuma tentativa de algo novo no filme, tem apenas vazio (reparem ou tentem fazer isso na cena do metrô) e preconceitos que nunca deveriam ter existido.

Sendo assim, "O paraíso deve ser aqui" é um filme dispensável, que não deveria ser lembrado mas talvez seja devido a uma coisa que faz bem: ser ruim.

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