18.10.19

Crítica: Wasp Network

Wasp Network
Imagem: RT Features / DIVULGAÇÃO
Se tem alguém que é bom em fazer cinema atualmente, esse é o francês Olivier Assayas. Dono de uma filmografia variada, que vai de documentários, a filmes sobre cinema mudo ("Irma Vep") e filmes de 5h30 (“Carlos, o Chacal”), o cineasta já conquistou o respeito necessário graças ao seu bom trabalho.

Assim, é uma pena que “Wasp Network”, novo filme do diretor, que conta com Edgar Ramirez, Wagner Moura, Gael Garcia Bernal, Leonardo Sbaraglia, Penélope Cruz e Ana de Armas, seja um filme tão confuso e que é salvo pelo elenco excelente que faz milagre durante as duas horas de projeção.

A história se passa nos anos 90 e acompanha os membros da Rede Vespa, uma rede de espiões cubanos, que tinham como objetivo acabar com movimentos terroristas (que atacavam Cuba) localizados nos Estados Unidos. Renê Gonzalez (Ramirez), abandona sua mulher Olga (Cruz) e filha para se juntar a essa rede em Miami, assim como Juan Pablo Roque (Moura). A rede é liderada por Hernandez (Bernal).

O filme tem vários arcos, que acompanham Ramirez, Moura e Bernal separadamente no início e a partir da segunda hora, esses se unem. Logo, conhecemos cada personagem separadamente, com o claro objetivo de criarmos empatia por esses agentes considerados traidores.

Porém, devido a essa divisão de arcos é que falta ritmo no filme, já que a montagem acelerada e alternada entre tempos, faz a obra ficar parada, presa em um lugar só por muito tempo. Tudo o que é mostrado no filme poderia ter sido exposto na ordem cronológica, com algumas cenas de contextualização, já que os cortes secos pulam acontecimentos importantes na trama.

Como a passagem de tempo, a mudança nas organizações, a mudança na vida pessoal dos personagens (principalmente no caso de Ramirez) e com a grande quantidade de informações sendo apresentadas no filme, a obra pode deixar o público confuso justamente por essa falta de contexto.

Ou seja, a obra se preocupa tanto em ser concisa que acaba perdendo a coesão a cada minuto que passa. Muitas cenas são dispensáveis e caso cortadas, poderiam dar mais espaço para as cenas de contextualização já citadas. Um exemplo disso é a sequência de El Salvador, que poderia ter sido apresentada em um diálogo e não mostrada, já que não tem nenhum dos personagens principais nela.

Por falar em personagens, Ramirez dá profundidade a Renê, por mais que o roteiro não dê profundidade ao personagem, sabemos que ele é um homem com vontade de fazer algo pelo país, mesmo que saiba o que isso vai gerar para sua família a curto e longo prazo. Da mesma forma que Moura mostra como as motivações para a mesma causa podem ser diferentes do que é comum e podem mudar ao longo do tempo.

É uma pena que Bernal, Cruz e Ana de Armas, são esquecidos pelo filme. O primeiro só aparece após mais da metade da projeção, em um flashback que deveria ter sido uma cena na ordem cronológica certa, Cruz e de Armas sofrem do mesmo problema: são esquecidas em prol da trama principal, que é a de seus maridos.

Ainda assim, ambas fazem um bom trabalho e dão profundidade as suas personagens, a primeira é mulher guerreira e mãe que precisa botar comida na mesa e a outra é uma esposa observadora e inteligente que sabe exatamente o que acontece. Da mesma forma que Bernal é um líder capaz e que executa bem as ideias que têm. Por mais que o roteiro não mostre a maioria delas.

“Wasp Network” é um filme que poderia ser melhor montado, escrito e que se segura pelo talentoso elenco. Esse último ponto só mostra o talento de Assayas para direção, pois mesmo em um filme abaixo de seu nível habitual, ele é um ótimo diretor de atores. Tomara que ele parta disso para fazer um filme melhor na próxima oportunidade.

Capacidade é o que não falta.

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