7.11.19

Crítica: Cadê você, Bernadette?

Cadê você, Bernadette?
Imagem: Divulgação
Richard Linklater é um diretor talentoso, um dos que mais se destaca em sua geração, seja em filmes filosóficos, como “Waking Life”, filmes de amor como a trilogia Before (“Antes do Amanhecer”, “Antes do Por do Sol” e “Antes da Meia Noite”) e dramas como “Boyhood”.

Logo, “Cadê você, Bernadette?” é um filme diferente dos outros na carreira do diretor, já que tem um objetivo simples: entreter o público por um pouco mais de duas horas de duração. Acompanhamos a história de Bernadette (Cate Blanchett), uma arquiteta aposentada, que lida com sérios problemas mentais como ansiedade, insônia e depressão. Sua filha Bee (Emma Nelson) pede a ela e ao pai Elgie (Billy Crudup) um presente, ir para a Antártida nas férias, o que representa um recomeço para sua mãe.

Esse recomeço é tratado com cuidado por Linklater, que contextualiza bem toda a situação, principalmente na primeira hora de filme, de forma a fazer com que o público sinta empatia pela personagem principal. Por mais que de certa forma isso funcione, pois o roteiro estabelece bem o que cria, por outro lado os clichês tradicionais de um filme assim dominam a obra.

Mas isso funciona em “Cadê você, Bernadette?” por dois motivos: os movimentos de câmera que acompanham as personagens são bem feitos, compensando a narração em off da filha que se mostra uma ferramenta inútil e a atuação de Cate Blanchett, que de certa forma supre os clichês da obra.

Por mais que a atuação de Blanchett lembre o trabalho dela em “Blue Jasmine” (pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Atriz), o recomeço da personagem nesse filme é diferente e tratado de forma mais leve, o que torna a personagem mais otimista do que Jasmine e mantém a trama divertida na dose certa.

Até porque, se o filme fosse muito divertido, os clichês (que não posso detalhar pois são spoilers) não funcionariam, logo, o público não sentiria a enxurrada de sentimentos que a obra propõe, principalmente no que diz respeito ao amor sobre o qual o roteiro fala, seja aquele que Bernadette sente pelo trabalho ou aquele que ela sente pela filha.

Bee é muito bem interpretada por Emma Nelson, cujo carisma conquista o público automaticamente e é ela quem representa o recomeço tão desejado por Bernadette, pois se não fosse a filha, Bernadette nunca teria feito o que fez e nem lutaria para tentar lidar com a ansiedade que tanto a prejudica.

O aprofundamento da relação entre as duas apenas funciona devido ao trabalho das atrizes e a direção de Linklater, que usa até alguns dos personagens secundários para desenvolver a história entre mãe e filha e estabelecer o recomeço e o amor sobre os quais o filme trata.

Assim, “Cadê você, Bernadette?” não é um filme inédito ou que ousa muito no que diz respeito a tentar algo novo, mas é um filme que funciona sendo justamente o que o cinema é muitas vezes, entretenimento puro e simples, a diferença desse filme para os outros é um diretor reconhecido e uma das maiores atrizes atualmente.

Veja o trailer aqui:

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