20.1.20

Crítica: Adoniran - Meu nome é João Rubinato

Adoniran - Meu nome é João Rubinato
Imagem: Pandora Filmes / DIVULGAÇÃO
Se há algo que Adoniran Barbosa era, era triste. Não é preciso ter conhecido o cantor e compositor pessoalmente para saber disso, basta prestar atenção nas letras de seus sambas, para perceber a melancolia dele.

Dirigido e escrito por Pedro Serrano, o documentário "Adoniran - Meu nome é João Rubinato" usa a tristeza do artista para contar a sua história, o que é real, ao mesmo tempo em que talvez seja a única forma de retratar Barbosa de forma fiel.

O filme usa a estrutura comum de um documentário, seja em sua montagem, que segue a ordem cronológica dos fatos e das músicas de Barbosa e em suas entrevistas, que tem como fontes alguns familiares do sambista (sobrinho, filha), estudiosos do artista e entrevistas do próprio cantor para televisão e rádio.

No que diz respeito a montagem, os cortes secos predominam, de forma a dar ritmo entre a história do cantor e as entrevistas que são utilizadas para contar o que é proposto. Já nas entrevistas, vemos a alternância, já que o diretor e roteirista, de forma inteligente, usa depoimentos de quem entrevistou e do próprio cantor, em momentos diferentes de sua história. Isso, além de trazer realidade ao filme, dá multiplicidade aos fatos relatados.

O que é sempre necessário em um documentário, principalmente em um que a tristeza do relatado, sua história e a parte da construção da atual cidade de São Paulo, se misturam de forma a não sabermos de quem é a história contada ali.

Isso não é ruim, pelo contrário. Adoniran Barbosa começou seu sucesso em uma época de transição da cidade, quando São Paulo deixa de ser um local reduzido a poucas coisas e se expande para começar a ser o que é hoje, com seus grandes prédios, viadutos e com cada vez mais pessoas.

Inclusive no aspecto financeiro, já que, com o crescimento da cidade também vem o crescimento da desigualdade social, algo que Barbosa retratava em suas músicas e que o documentário faz questão de mostrar.

Ou seja, se Barbosa cresceu na carreira nessa época de transição, fazendo parte da história de uma das maiores cidades do mundo, mais cedo ou mais tarde, a cidade e a história o engoliriam, como vai acontecer com todos nós.

Ao expor isso de forma objetiva e usar o outro lado da carreira do documentado para corroborar esses fatos, como, por exemplo, o fim da rádio, sua carreira como ator televisivo e de cinema e organizar bem as informações, o documentário cumpre o seu papel.

Talvez, tenhamos a tristeza de Adoniran Barbosa em todos nós, principalmente os paulistas e talvez, "Adoniran - Meu nome é João Rubinato" não tenha escolhido contar a história de um sambista de sucesso e sim contar a história da tristeza desse sambista.

Só pela ideia, já é um documentário que vale a pena ser assistido.

Veja o trailer aqui: 

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