28.9.20

Crítica: Filhos da Dinamarca

Filhos da Dinamarca
Imagem: DIVULGAÇÃO
Nos últimos anos, a sociedade como um todo viu o nacionalismo extremo tomar conta de posições de poder e não apenas disso, mas também tomar conta das pessoas, o que gera comportamentos agressivos e ataques a minorias consideradas qualitativas em vários lugares do mundo.

“Filhos da Dinamarca” poderia ser em qualquer lugar, inclusive na Dinamarca. Dirigido e escrito por Ulaa Salim, acompanhamos uma história de conflito entre imigrantes iraquianos e paquistaneses contra um grupo extremista chamado “Filhos da Dinamarca”. Tudo isso durante o período eleitoral, onde o candidato nacionalista é o favorito disparado para assumir o posto de primeiro ministro.

Como ficou claro, o assunto é mais do que atual e como já dito, poderia ser em qualquer lugar do mundo e com qualquer povo que seja considerado uma minoria qualitativa. Salim conta a história que deseja através da dúvida dos personagens imigrantes, o que torna o filme ainda mais próximo do cotidiano das pessoas atuais.

Pois é essa dúvida que faz com que as pessoas não expressem o que pensam, claro que não é apenas dúvida, mas também medo, porém, a dúvida faz parte desse sentimento. Logo, é interessante que vejamos dois personagens que são extremamente inseguros em relação a suas atitudes.

Zakaria (Mohammed Ismail Mohammed) e Ali (Zaki Youssef) são imigrantes e o que os une, fora isso, é a dúvida, mas vemos como eles são pessoas diferentes, lidando com esse sentimento de forma também diferente. Se um, apesar da dúvida, tem certeza de aquilo que ele está fazendo é o certo, o outro, além de não saber se o que fez é certo, aprende com o tempo que cometeu um erro.

As pessoas são passíveis de erros e ao mostrar como é possível mesmo alguém inteligente cometer um erro, o filme causa certa empatia com o público. Empatia que é potencializada, com a escolha do diretor de não mostrar apenas a luta, mas também mostrar a vida familiar de Zakaria e Ali, que são, por mais que esses dois personagens sejam diferentes, o motivo principal para eles fazerem o que fazem.

Passado isso, é triste perceber como vemos mais coisas familiares do que gostaríamos durante a obra. Isso ocorre em diversos aspectos, porém, principalmente nas cenas violentas do terceiro ato, onde vemos como a violência sempre esteve próxima de todos, mas que nos últimos anos, ficou mais próxima do que deveria e que o sistema não se importa com quem morre, a não ser que a pessoa seja rica.

Infelizmente, as duas horas de projeção são muito tempo para que o público fique imerso no filme o tempo todo. Porém, é possível entender a escolha da montagem para tal duração, pois a profundidade da história é mais bem detalhada e abordada dessa forma.

Logo, “Filhos da Dinamarca” é um filme triste por sua inegável atualidade e mais triste ainda por sabermos que a obra será atual por muito mais tempo do que pensamos, em mais lugares do que pensamos, mas sempre com as mesmas pessoas sendo vítimas do extremismo.

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