18.10.20

Crítica: Bem vindo a Chechênia




Bem vindo a Chechênia
Imagem: DIVULGAÇÃO


Vivemos em um momento em que sermos nós mesmos é cada vez mais difícil e a luta pela liberdade é algo que as minorias qualitativas precisam fazer diariamente, porque só assim conseguirão ter o básico para viver.

Essa situação piora quando o lugar onde se vive proíbe que certas comunidades existam. Na Rússia e na Chechênia, os LGBTQIA+ são proibidos de existirem e são presos e torturados pelas forças do governo. "Bem vindo a Chechênia", dirigido e escrito por David France, conta essa história através de um grupo de ativistas LGBTQIA+ que ajudam pessoas a fugirem do país.


O documentário cumpre a função informativa de mostrar como a Rússia e a Chechênia usam os seus governos de forma a perpetuar políticas de preconceito e por mais que isso seja óbvio, é bom informar, para que o espectador sempre se lembre disso.

Ao mesmo tempo em que France foca nas pessoas que lutam pela liberdade e usa a alternância entre histórias para expor uma série de pontos de vista diferentes dentro da luta ativa da organização abordada.

Como, por exemplo, a alternância de mostrar as histórias de pessoas ajudadas pela organização, ao mesmo tempo em que mostra as entrevistas com os líderes desta mesma organização. Isso expõe como a luta é e sempre será, coletiva, que não há ninguém sozinho. Assim, se já era difícil não ter empatia com a história, se torna impossível não se comover, pois vemos tudo por vários lados e contado por pessoas diferentes, mas com o mesmo objetivo.

Dentro desses "vários lados" está presente a alternância com as filmagens de agressão policial que a equipe do documentário adquiriu. Por mais que sejam fortíssimas, elas são importantes também como forma de relembrar o público, principalmente aquele que não faz parte de uma minoria, o porque da luta daquelas pessoas.

Pensando nisso, France trabalha o terceiro ato de seu filme de maneira interessante. Vemos como, para alguns ali, as coisas vão dando certo - o homem que consegue fugir com sua família, o casal que consegue fazer o mesmo e etc - logo, o espectador pode pensar que o fim será otimista.

Isso chega ao auge na cena da praia, que não irei detalhar aqui, mas aí, France volta a ressaltar que a luta continua e que apesar de ser pelas coisas boas que aquele grupo de ativistas luta, há ainda muito a ser feito para que essa luta acabe.

Portanto, "Bem vindo a Chechênia", por mais que possa parecer querer ter um final agridoce, claramente não tem essa intenção, o objetivo é mostrar que apesar de tudo, a luta continua, mesmo que certas coisas deem certo pelo caminho.


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