26.10.20

Crítica: Coronation

Coronation
Imagem: DIVULGAÇÃO

Talvez, o momento para lançar “Coronation” não tenha sido o melhor, pois ainda estamos em pandemia, por mais que várias pessoas prefiram negar isso, então, ver um filme 100% sobre a pandemia pode se transformar em uma experiência ruim, justamente por essa parte da história ainda não ter acabado.

Ao mesmo tempo em que o documentário serve de material para contar como Wuhan, na China, a primeira cidade a registrar casos do Coronavirus, lidou com toda a situação. Dirigido e escrito por Ai Weiwei, o filme acompanha justamente a rotina da cidade.

As imagens colhidas por Weiwei são chocantes, não apenas pelo conteúdo delas, mas principalmente pela possível confidencialidade ali encontrada, pois vemos imagens bem restritas ao público comum, rotina de hospitais, procedimentos operatórios, reuniões e pensar que tudo isso é em Wuhan, torna o material ainda mais valioso.

Mas, se esse material é valioso, ele também poderia ter sido mais bem aproveitado, pois há cenas muito longas que são extremamente desnecessárias, porque, por exemplo, passar cinco minutos mostrando um médico lavando a mão? Ou, porque um plano sequência da entrada de um médico no hospital, que acaba quando ele chega na sala de desinfecção?

Esse tipo de cena, por sua duração, acaba por prejudicar o filme e a qualidade do material e também prejudica que o público entenda a rotina daqueles profissionais, pois as cenas muito longas também são cenas inúteis e as cenas onde tem algo útil são aquelas que duram menos tempo.

Porém, tudo isso é a primeira hora, na segunda hora o filme muda e encontra um caminho a seguir. Ao mostrar como o partido comunista lidou com a pandemia em Wuhan, é onde está reservado os melhores momentos do filme, como a conversa com a senhora e os depoimentos em uma ala menos emergencial de um hospital.

Mesmo assim, com esses momentos bons, a obra parece jogá-los no filme sem nenhum tipo de sentido relacionado a primeira hora, de forma que parece meio aleatório que vejamos tudo o que vemos na segunda hora, devido a forma abrupta com que essa passagem é feita.

Talvez, Weiwei tenha tido problemas de organizar o material colhido por ele e encaixá-los de forma a ter uma ordem, que ajudaria na transmissão desse conteúdo para o espectador, principalmente se levarmos em conta o já dito no primeiro paragrafo desse texto, que a pandemia ainda não acabou.

Assim, “Coronation” pode melhorar na medida que o tempo passa, porque com certeza é um filme para ser digerido e absorvido devagar, porque o momento retratado ali continua. Imagino que os problemas no ritmo não sejam resolvidos com o tempo, mas em relação a absorção do conteúdo pelo espectador, que é o que importa, com certeza os anos irão ajudar.  

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