27.10.20

Crítica: De volta para casa - Marina Abramovic e seus filhos

De volta para casa - Marina Abramovic e seus filhos
Imagem: DIVULGAÇÃO

Um documentário sobre pessoas bem sucedidas na área em que atuam é algo bem difícil, pois em geral, essas pessoas são conhecidas do público e quem gosta e acompanha o trabalho delas, sabe de tudo (ou quase tudo) dos seus ídolos e de suas trajetórias.

Marina Abramovic não é exatamente uma figura tão famosa quanto um jogador de futebol, mas ela é bem famosa para quem gosta de arte e acompanha o meio, principalmente as pessoas que gostam de performance. “De volta para casa – Marina Abramovic e seus filhos”, dirigido e escrito por Boris Miljkovic, consegue, apesar de ser comum, ser atrativo para quem assiste.

Da mesma forma que pessoas que já conhecem a obra de Abramovic e parte da história, conseguem ter mais conhecimento sobre ela ao assistir o documentário, quem não a conhece consegue se atrair por sua obra e buscar saber mais sobre seu trabalho, que é considerado inovador de diversas formas.

Pois o documentário não só acompanha uma turnê de retrospectiva da carreira da artista, como faz essa retrospectiva mostrando vídeos de suas performances, trechos de sua autobiografia (lidos por ela em certos momentos do filme em forma de narração em off) e, principalmente, mostrando as releituras que artistas de performance mais jovens fizeram da obra de Marina Abramovic.

O ponto alto do filme são justamente essas releituras, pois vemos os “seus filhos” do título ali, vivos e mantendo a arte performática viva através de homenagens (que são as releituras, ou, como eles chamam, “reperformances”) da, talvez, artista performática mais bem sucedida da história.

A obra também faz uma reflexão de como é difícil, ou pode ser difícil, voltar para casa ou para um lugar onde se morou por muito tempo, principalmente quando esse lugar era um local repressivo quando você viveu lá, como é o caso de Marina voltando para sua cidade natal, Belgrado, para o compromisso final de sua turnê de retrospectiva.

Dentro disso, também vemos como é difícil, por mais que seja necessário, refletir sobre nossas vidas e sobre nossas trajetórias. Marina faz isso a duras penas, ao refletir sobre seu trabalho que se misturou com sua vida pessoal em várias ocasiões, para não dizer em quase todas as ocasiões, de sua vida.

Por mais que estruturalmente o documentário não seja o mais ousado de todos (e nem tenha essa intenção), “De volta para casa – Marina Abramovic e seus filhos” é um bom filme, que mostra a trajetória de uma das maiores artistas performáticas de uma maneira que consegue conquistar novos interessados na obra da protagonista.

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