21.10.20

Crítica: Kubrick por Kubrick

Kubrick por Kubrick
Imagem: DIVULGAÇÃO

A maioria daqueles que pensam em Stanley Kubrick, quase que imediatamente o associam a uma imagem de diretor extremamente controlador e perfeccionista, que exigia muito de seu elenco e de sua equipe, para atingir o que considerava ser o melhor resultado para construir o filme.

Isso tem um motivo e por mais que Kubrick não fosse exatamente um doce de pessoa, ele também não era a figura controladora e obsessiva que pintavam dele e é isso que Gregory Monro, diretor de “Kubrick por Kubrick” quer mostrar, um pouco mais do que um dos diretores mais influentes da história de fato era.

Com curtas uma hora e treze minutos de duração, vemos através de entrevistas de Kubrick, cedidas por ele a Michel Ciment, como a mídia estadunidense ajudou muito nessa construção da imagem do diretor que temos até hoje, apenas porque ele quis abandonar Hollywood e sua indústria, de forma a ter mais liberdade de filmagem (e dinheiro), indo trabalhar na Inglaterra.

De certa forma, vemos esse documentário como uma defesa póstuma de Kubrick a essa imagem que criaram dele, não que ele ligasse para essa construção, já que era um diretor recluso por livre e espontânea vontade, mas levando em consideração que a maioria das pessoas apenas escutou um lado da história, o documentário se torna importante nesse ponto.

Mas também se torna importante como objeto de estudo cinematográfico, pois, como já dito, Kubrick era recluso, o que o levou a dar pouquíssimas entrevistas durante sua carreira de 40 anos e 13 filmes, logo, ouvir a voz do diretor respondendo as perguntas de Michel Ciment, de forma atenciosa e detalhista, é algo muito bom para quem se importa com cinema de fato.

Hoje em dia, muitos daqueles que dizem gostar de cinema e que dizem estudar cinema, ignoram o trabalho de Kubrick, apenas pelo simples fato dele ter caído no gosto do público comum e virado, dadas as devidas proporções, “modinha”. Se esse documentário cumprir seu propósito, esse tipo de “estudioso” e o espectador, perceberá que a popularidade de Kubrick não era a toa, mas é devido a uma dedicação inegável a ter qualidade no seu trabalho.

Logo, vemos como ele era perfeccionista, mas não exatamente controlador de forma excessiva (por mais que fosse bem controlador) e que ele sabia bem o que queria quando dirigia e sabia exatamente o que queria de sua equipe, para comprovar isso, é só reparar no depoimento de Malcolm McDowell (protagonista de “Laranja Mecânica”) .

Assim, “Kubrick por Kubrick” valeria a pena de qualquer jeito pura e simplesmente por trazer mais material de estudo relacionado a um dos maiores diretores da história, mas temos, felizmente, o acréscimo de trazer uma certa desconstrução do diretor aliada a esse novo material de estudo adquirido nas entrevistas feitas por Ciment.

P.S.: Há um livro chamado “Conversas com Kubrick” (Relançado apenas como "Kubrick"), escrito por Michel Ciment, onde essas entrevistas estão disponíveis para leitura.

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