23.10.20

Crítica: A santa do impossível

 

A santa do impossível
Imagem: DIVULGAÇÃO
Levando em consideração que hoje em dia a crise de imigração é um assunto frequente e que deve ser tratado com seriedade, ver um filme como “A santa do impossível” chega a ser um certo alivio, por mais que seja agridoce, pois o filme não usa a imigração como plano de fundo e base para sua história, mesmo que conte a história de imigrantes. 

O filme de Marc Wilkins tem como protagonistas os gêmeos Paul e Tito (Adriano e Marcelo Durand). Peruanos, os dois vivem com sua mãe Rafaella e buscam, assim como a maioria dos garotos de sua idade, encontrar amor, se divertir e viver a vida. Ao conhecerem a croata Kristin (Tara Thaller), eles passam a tentar conquistá-la, acabam por descobrir sua linha de trabalho e o porquê de estar nos Estados Unidos. 


É possível perceber pela sinopse, como o filme é internacional de certa forma, pois os protagonistas são latinos, uma personagem é croata e a história se passa toda nos Estados Unidos, um dos destinos mais procurados por imigrantes. Wilkins usa isso a seu favor, para construir a trajetória de crescimento e descoberta dos personagens.

Pois o local onde vivem faz parte da descoberta e do crescimento, mostrar Nova Iorque de forma não romantizada ajuda na ambientação do filme e até na sua comicidade, já que parte do humor e do clima leve da obra se deve justamente aos personagens conhecerem lugares novos, ao mesmo tempo em que vão conhecendo uma pessoa nova, cujo interesse se baseia na amizade, mas também no amor e na luxuria.

Então, se torna um acerto do filme focar na relação entre Paul, Tito e Kristin, primeiro pelo fato já dito do interesse dos personagens masculinos na jovem, depois, porque dentro de uma vida bem caótica e solitária, em um meio de profissão que na maioria das vezes (imagino, não conheço a fundo e não tenho lugar de fala para opinar) agressivo, o mais próximo que Kristin tem de uma amizade saudável é o seu relacionamento com Paul e Tito.

Claro que o que acontece nesse relacionamento é de certa forma, previsível, mas isso não tira o mérito de Wilkins em construir uma amizade bonita e que ultrapassa uma série de obstáculos (idioma, nacionalidade, faixa etária, histórias de vida), ao mesmo tempo em que consegue estabelecer a questão da imigração como algo a ser tratado com seriedade.

Por mais que não seja a temática principal do filme, que o diretor foque nas pessoas e não no sistema que as levaram até ali, a imigração é um tema presente e nem teria como ser diferente. Caso o diretor tentasse evitar o assunto contando a história que conta, com certeza a obra seria estranha e parcial em relação ao sistema vigente.

Assim, “A santa do impossível” se torna agradável de assistir, por mais que seja agridoce, devido aos protagonistas serem interessantes, pela jornada ser honesta e pelo foco ser nas pessoas e não nas motivações que as levaram a ir tentar a vida em um país preconceituoso com toda vida que não seja a branca heterossexual.

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