31.10.20

Crítica: Sibéria

Sibéria
Imagem: DIVULGAÇÃO

Em certos casos, o isolamento é a única opção para conseguir viver com o mínimo de paz e sem dúvida, é apenas com o mínimo que Clint, personagem interpretado por Willem Dafoe em “Sibéria”, dirigido e escrito por Abel Ferrara, vive.

Isolado em algum lugar frio, Clint luta diariamente contra a solidão e tenta entender o que o levou até aquele ponto na vida. Vivendo apenas com os lobos em um bar distante, ele busca um pouquinho de esperança dentro de sua rotina pré estabelecida e rígida.

Vemos a busca do protagonista por autoconhecimento, mas também vemos como ele tem vontade de quebrar a solidão na qual vive (cenas com a mulher russa, por exemplo), por mais que ele entenda que devido a vida que levou, a única coisa que resta é só isolar, mesmo que isso seja penoso.

E é, não a toa o filme também é sobre saudade, não apenas daquilo que já viveu, mas também das coisas que ele não viveu, como por exemplo, a paternidade, já que ele abandonou o filho, mas, principalmente, saudade do pai e do irmão, cujo único lazer que tinham juntos era ir no local onde Clint atualmente vive e local que gera uma série de gatilhos que o fazem lembrar.

Lembrar que é um processo bem doloroso para ele e pode ser bem doloroso para todos nós, o melhor, no fim das contas, é esquecer daquilo que fica insistindo em querer ficar na sua mente. As trocas de lugares na “viagem” de Clint podem representar essa briga interna, ao mesmo tempo em que apenas podem significar que a solidão dele mudou, se uma hora ele acha que vai acabar, em outro momento ele tem certeza que vai ser sozinho para sempre.

As vezes, o filme se perde nas metáforas que cria, como por exemplo, aqueles momentos que tocam heavy metal ou nas outras situações onde, para citar outro exemplo, um peixe fala hebraico, mas, isso não prejudica a obra, talvez pelo talento de Dafoe, que carrega o filme todo nas costas ou pela habilidade de Ferrara na direção, que mantém o público atento naquela luta.

Luta para saber quem é, essa é a luta de Clint e essa também é a luta que todos nós, em algum momento de nossas vidas, travamos com nós mesmos, por isso, talvez relembrar seja importante, por mais que seja um processo doloroso, podemos nos encontrar dentro de nossas lembranças, descobrirmos quem somos e assim, finalmente sairmos de nossas Siberias.

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