1.11.20

Crítica: Colômbia era nossa

Colômbia era nossa
Imagem: DIVULGAÇÃO 

É interessante pensar que a bolha na qual nós vivemos não é só aquela das redes sociais, mas também aquela que se constrói em torno de um país. Se no Brasil, de 2016 para frente, a sociedade se polarizou em dois lados, na América Latina de forma geral, isso também ocorreu.

Claro que não necessariamente no mesmo ano, como é o caso da Colômbia, que há anos vive em uma sociedade que se divide em aqueles que são contra as FARC (Força Ativa Revolucionária Comum) e aqueles que as apoiam, ou até mesmo fazem parte dela.

Jenni Kivisto e Jussi Rastas mostram essa sociedade colombiana polarizada em "Colômbia era nossa", onde vemos membros das FARC e o congresso colombiano durante o acordo de paz entre as forças e o governo. 

É notável, logo de cara, que Kivisto e Rastas colheram um material muito bom, onde conseguimos escutar, ver e entender os dois lados, já que vemos depoimentos de membros das FARC e de membros do governo.

Da mesma forma que vemos, apesar da paz que foi acordada, que a polarização não acabou com isso. Sim, foi um fato importante, mas não é o suficiente para levar a paz de forma integral a um conflito de anos. 

Além disso, o documentário traz uma discussão válida, ok, o acordo é importante, mas e agora? O que fazer? Pois a polarização continua, o conservadorismo continua em alta e muita coisa ainda precisa ser feita para a melhora ser completa. O documentário expõe isso através dos momentos pós acordo de paz fechado, como a reunião do partido das FARC (se tornaram um partido após o acordo) com as pessoas e o protesto da ala conservadora. 

Então, o espectador não vê apenas um fato, mas vê também como esse fato é gerador de vários outros acontecimentos, assim como todo acontecimento, independentemente do nível de importância, é histórico e gera outro acontecimento, de forma que todos nós vivemos em um ciclo.

E mesmo que as bolhas sejam diferentes, os ciclos são mais próximos da gente do que nós imaginamos, principalmente quando falamos de América Latina. Temos a impressão, gerada por um pensamento que Estados Unidos e Europa constroem de forma contínua, de que somos distantes.

Mas não somos, somos latinos, parecidos com os povos latinos, com os mesmos problemas (em sua maioria) que os povos latinos e "Colômbia era nossa" mostra que a América Latina é nossa e não dos países que querem nos impor um modelo econômico predatório, sugar tudo o que tem no continente e ir embora depois.

Só chegaremos a paz de fato, quando entendermos que apenas unidos, criaremos um novo ciclo histórico e por mais que estruturalmente falando, esse filme não seja lá algo original, a discussão que ele gera vale bastante a pena.

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