14.10.21

Chicago Film Festival: Sideral

Sideral
Imagem: DIVULGAÇÃO

Texto que faz parte da cobertura da edição 2021 do Festival de cinema de Chicago

This critic is part of Chicago Film Festival 2021 coverage

As vezes todos nós sentimos vontade de ir embora, largar tudo e isso pode ter um sentido bom e um ruim. Há consequências, claro, como em qualquer escolha, mas muitas vezes é uma decisão mais instintiva do que racional, porque na maioria das vezes a vida é mais instintiva do que racional.

“Sideral” é um filme que nos leva a pensar nesse tipo de decisão. O curta de Carlos Segundo faz com que reflitamos no que é racional e calculado em relação ao que é instintivo. A obra conta a história de uma família, que assim como toda a cidade, aguarda o lançamento de um foguete para o espaço. O pai, mãe e seus dois filhos aguardam esse fato, que domina a mídia do país.

Interessante como algo que não vai fazer diferença efetiva na vida daquela família (assim como na vida de qualquer brasileiro comum), domine as rodas de conversa daquelas pessoas e principalmente, mude as formas de pensar dos indivíduos. Ou ao menos seja uma espécie de motor para que as pessoas façam algo que elas sempre quiseram fazer e apenas não chegaram a isso porque algo as impediu.

E quando um fato tão dominante como um lançamento de foguete se torna um motor social, temos algo que é “Sideral”, pois qualquer coisa, principalmente no meio coletivo brasileiro pode se tornar um motor, um gatilho, como infelizmente descobrimos todos os dias nos tempos atuais.

Segundo mostra como todos nós podemos ser sua protagonista, uma mulher da qual não sabemos muito, mas deduzimos o suficiente. Ela teve sonhos que não conseguiu realizar, vive uma vida da qual tem coisas boas (os filhos dela), mas onde não nutre a vontade de viver tão necessária e cara a todos, além disso, como se não fosse o suficiente, ainda tem o lançamento do foguete.

Esse fato se torna um símbolo de opressão. O foguete é algo que engole as pessoas assim como o sistema vigente. Como dito, o lançamento não causa nenhuma mudança efetiva na vida das pessoas comuns, que acordam todos os dias para trabalhar e ganhar pouco durante oito horas por dia, para, nos momentos de lazer, fazer algo que gosta de maneira mal feita. O lançamento é apenas um mantenedor sistemático, os ricos ficam mais ricos e os pobres ficam mais pobres.

A sociedade sempre está em segundo plano para aqueles de fato interessados no lançamento do tal foguete, os quais o filme nem mostra, porque não há necessidade disso, já sabemos quem são. O filme mostra a vontade que nós temos de fugir de todo esse esquema no qual somos obrigados a viver e se o destino for o espaço sideral, em um foguete que não foi feito para você, tudo bem, o que importa é fugir de tudo no final das contas.

Racionalidade e instinto é o conflito que move cada um de nós  e “Sideral” de certa forma consegue resumir isso em quinze minutos. O curta de Carlos Segundo é uma ferramenta de estudo de sistema e principalmente, de quem mantém o sistema vivo mesmo sem ligar para ele, as pessoas. 

Texto que faz parte da cobertura da edição 2021 do Festival de cinema de Chicago

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