20.10.21

Chicago Film Festival: Wheel of fortune and fantasy

Wheel of fortune and fantasy
Imagem: DIVULGAÇÃO

Texto que faz parte da cobertura da edição 2021 do Festival de cinema de Chicago

This critic is part of Chicago Film Festival 2021 coverage

Todos os sentimentos são subjetivos, explicar um sentimento é, em geral, contar o que aquele sentimento é dentro de um senso comum, mas nem todo mundo sente algo da mesma forma, pois caso sentíssemos, seríamos muito mais parecidos do que somos, não seríamos plurais, não seríamos a gente.

Ryusuke Hamaguchi trata o amor de maneira subjetiva, cada uma das três histórias de amor contadas em "Wheel of fortune and fantasy", dirigido e escrito por ele, é diferente e única as suas respectivas maneiras, talvez o ponto em comum entre elas seja justamente a palavra que dá título a primeira história: mágica. 

Pois as três histórias são mágicas, mesmo que sejam mágicas que deram errado, como o triângulo amoroso ou a chantagem que não deu certo. Elas são mágicas justamente pela subjetividade do amor daqueles personagens e por uma vontade intrínseca de se mostrarem histórias únicas tanto para o seu público, quanto para si mesmos. 

Pois todos nós queremos nos sentir únicos dentro de nossa própria vida. Sei que isso pode parecer estranho, levando em consideração que a vida de cada um é a vida de cada um, mas a unicidade também se dá pelo fato de não reconhecermos em nós mesmos o que temos de único, infelizmente, e é um esforço constante para que nos lembremos do que temos a oferecer todos os dias.

Às vezes, oferecemos uma história de amor e esperança para uma amiga, que nos oferece de volta o seu silêncio, justamente pelo carinho que ela tem por você, como aconteceu na primeira história. Às vezes, algo que não dá certo por um erro bobo é algo que te leva a um caminho interessante de se percorrer, mesmo que doloroso, como na segunda história e um engano que toma caminhos surpreendentes é um engano que se torna uma jornada de autoconhecimento e de conhecimento do outro, com o qual você tem tanto em comum, como é na terceira história. 

Por isso a palavra “mágica” é uma palavra que fica na nossa cabeça enquanto assistimos ao filme, pois tudo ali é comum, ordinário, acabamos por ver a mágica dentro da rotina e lembramos da nossa própria rotina com um pouco desse sentimento que não se explica, apenas se sente. 

A roda da sorte e da fantasia (tradução literal do título do filme) é basicamente a vida. Vista por Hamaguchi com alegria, é tratada assim por seus personagens, que entendem a aleatoriedade da vida e como tudo pode mudar para eles em um piscar de olhos, o que ocorre de forma mais forte e frequente na primeira história. 

Talvez por isso o formato de três curtas seja interessante, é de certa forma mais fácil expor essa aleatoriedade contando histórias diferentes de uma forma que permita as histórias se desenvolverem em um curto espaço de tempo. 

Tempo é algo complicado de explicar, assim como os sentimentos, Hamaguchi entende isso e entende que nem tudo precisa ser explicado, mas que tudo pode ser sentido e ao focar nisso, "Wheel of fortune and fantasy" é um filme que fala sobre vida melhor do que muitos filmes que tem a vida como principal e único tema.

Texto que faz parte da cobertura da edição 2021 do Festival de cinema de Chicago

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