28.2.22

Crítica: The Batman

The Batman
Imagem: DIVULGAÇÃO / Warner

Em dado momento de “The Batman”, eu lembrei muito de Batman Begins. Um filme também introdutório por mais que seja em outra fase do herói. Não desgosto nem do filme de 2022 e nem do filme dirigido por Christopher Nolan, ambos têm algo em comum, o fato de não me despertarem nenhum sentimento.

Claro, em comparação com o público, acredito que serei minoria nesse pensamento, mas o filme de Matt Reeves tem algo de insipido. Tem bons momentos, ótimas cenas, boas ideias, mas talvez elas sejam melhor desenvolvidas nas sequências – que com certeza irão existir. Acompanhamos Bruce Wayne (Robert Pattinson) em uma de suas primeiras lutas contra vilões na cidade de Gotham, quando uma série de assassinatos de pessoas importantes (e corruptas) começam a acontecer. O homem morcego passa a investigar o culpado, junto ao (ainda) tenente Gordon (Jeffrey Wright) e Selina Kyle (Zoe Kravitz).

Por estar no começo de sua trajetória como herói, vemos um Bruce Wayne cheio de dúvidas e principalmente cheio de raiva e tristeza. Talvez isso justifique o visual mais sóbrio adotado pelo filme e a aparência emo de Robert Pattinson na pele do personagem, por incrível que pareça ajuda na construção do Batman, o fato de o ator estar parecendo o vocalista da banda My Chemical Romance.

Mas, por mais que Pattinson esteja ótimo no papel (e todo o elenco está muito bem), essas dúvidas  e tristezas (muitas delas expostas por narração em off), que tem como ponto de partida o assassinato dos pais de Wayne, nunca conseguem ser passadas ao público de maneira a fazer o espectador sentir isso. Talvez porque nós já saibamos os motivos do Batman existir, levando em consideração a quantidade de filmes que existem dele ou talvez porque o filme não se importa com os sentimentos do público.

Esse não se importar é muito característico de blockbusters e filmes de herói, o que me surpreende é o fato disso estar em um filme de Matt Reeves, que provou com os filmes 2 e 3 de “Planeta dos macacos” ser capaz de fazer o público sentir e se importar com os seus personagens, para citar essa franquia, a cena do César com a garotinha no terceiro filme.

Reeves sabe que o cinema é para fazer o espectador sentir algo, seja medo, angústia, alegria, tristeza, amor, qualquer coisa. O diretor sabe disso e até vemos isso no próprio Batman, principalmente nas cenas de ação e nas cenas com o Pinguim (Colin Farrell). Se nas cenas de ação ficamos empolgados e pensando no que virá a seguir, ansiosos pela próxima explosão, soco ou chute, nas cenas com o Pinguim, damos risadas de algumas falas dele e a cena que une a ação e esse vilão, talvez seja a melhor do filme.

Devido ao uso do ponto de vista subjetivo na sequência, a empolgação citada acima é elevada e nos vemos torcendo, com uma ansiedade fora do comum. Aqui voltamos para “Batman Begins”, pois a melhor cena desse filme, é a cena com o batmovel e por mais que vejamos os pais de Bruce morrer, o treinamento dele com Ra’s Al Ghul e a evolução dele até se tornar Batman, não sentimos nada, é tudo sem graça.

Aqui, não vemos os pais de Bruce morrer, mas vemos como isso afetou a vida dele, não vemos o treinamento, mas vemos como as relações de Bruce com as pessoas é algo difícil para ele (a cara que Pattinson faz quando Alfred cita de forma irônica que ele vai voltar a público é algo que expõe justamente como ele odeia aparecer como ele mesmo) e ainda assim, por mais que vejamos um personagem triste, não conseguimos compartilhar dessa tristeza e cinema é sobre sentir.

Nem todos os filmes vão fazer as pessoas sentirem algo, nem todos os filmes vão cativar as pessoas da mesma forma e nem todos os filmes que fizerem isso serão ruins. Na verdade, pelo contrário, se a obra não gera nenhum sentimento, ela não pode ser "julgada" (entre aspas pois nenhum filme deve ser julgado) nem como boa, nem como ruim, é apenas uma boa distração e “The Batman” infelizmente foi assim no meu caso e eu odeio não sentir nada quando vejo algo.

Fica para uma possível revisão.

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