13.2.17

Crítica: Até o Último Homem



As guerras são movidas por ideologias, cada estado briga pelas ideologias mais favoráveis aos seus interesses ou aos interesses daqueles que são aliados. Isso também serve para seus exércitos, porém, não serve para os soldados de maneira individual, de forma que quando uma pessoa se alista ela abandona sua privacidade e individualidade para se tornar membro de um todo e, pensar como esse todo.

É justamente essa batalha ideológica individual que “Até o Ultimo Homem” mostra. Dirigido por Mel Gibson, o filme conta a história de Desmond T. Doss – interpretado por Andrew Garfield – que, temente a Deus e tendo convicções fortíssimas, decide nunca segurar uma arma na vida, porém, quando a segunda guerra eclode para os Estados Unidos, ele decide servir ao seu país como médico no campo de batalha e enfrenta as consequências de sua decisão ideológica.




É muito interessante que o filme mostra exatamente a perda de individualidade citada no primeiro paragrafo, a partir do momento em que Desmond entra no exército ele é obrigado a deixar tudo em que acredita de lado, e sofre intensas represálias tanto físicas quanto psicológicas para isso, tendo sido até levado a julgamento, isso mostra que apesar do patriotismo presente em todos os exércitos de quaisquer países, caso, um soldado não siga a doutrina dominante ele será discriminado e desrespeitado.

A defesa de suas convicções é muito bem destacada por Andrew Garfield, usando de um sotaque típico do interior estadunidense, de um olhar baixo e postura tímida, Garfield faz de Desmond um homem que faz de tudo pelas outras pessoas mas, não esquece de si mesmo e de sua família e amigos, além de que, quanto mais tempo ele passa no exército, mais ele adota uma postura segura e uma voz firme, o que mostra o desenvolvimento do personagem.

O filme apresenta uma rima visual muito interessante, em relação a colina que os irmãos sobem no inicio, com a colina na qual Desmond salva várias pessoas. As colinas em questão são mostradas pelo mesmo angulo quando vista pela primeira vez, seja por um personagem, seja pelo público. A sequencia do treinamento é uma referencia ao filme de Stanley Kubrick, "Nascido para Matar", principalmente no primeiro contato com o sargento com a sua unidade.

Apesar disso, o filme expõe apenas o inimigo – no caso os japoneses – como sendo os culpados pela guerra, e sabemos que não foi assim, e essa exposição tem como consequência transformar em apenas o norte americano, o que é a típica formula de Hollywood para os filmes de guerra.

Felizmente, o personagem da história abordada aqui é realmente um herói, não apenas por ter salvo várias pessoas – independente de sua nacionalidade – e sim por ter defendido algo em que acreditava, o que hoje em dia é tão difícil de ver, pessoas que defendem suas ideologias e ao mesmo tempo buscam não agredir o próximo, não propagando o ódio. Logo, o ponto alto do filme reside em seu personagem principal, mas, mesmo com erros, “Até o Último Homem” vale a pena ser visto, não apenas por um personagem, mas também por sequencias de guerra muito bem feitas por Mel Gibson, que sabe exatamente como fazer esse tipo de coisa.

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