25.2.18

Crítica: O Artista do Desastre

O Artista do Desastre
Imagem: Warner Bros / Divulgação

Muitos filmes ganham status cult com o passar do tempo, sejam porque são de fato bons e não foram reconhecidos em sua época de lançamento – como “O Iluminado” de Stanley Kubrick, por exemplo – ou porque são ruins, mas fazem isso direito, sendo de fato obras incompetentes, e sem dúvida, esse é o caso de “The Room”.

Lançado em 2003, a obra foi dirigida, escrita, produzida e protagonizada por Tommy Wiseau, e com o tempo passou a ser considerada o pior filme já feito, porém, ele continua a ser falado até hoje, e talvez tenha sido isso, junto com o livro de Greg Sestero (o Mark de “The Room”), que deu origem a esse “O Artista do Desastre”.


Dirigido por James Franco, protagonizado por ele (no papel de Tommy Wiseau), a obra é um making of de “The Room”, mostrando como Tommy e Greg (interpretado por Dave Franco), se conheceram e como funcionou a escrita do filme, além disso, claro, acompanhamos suas filmagens, brigas de bastidores e processo de produção e estreia da obra.

Se tem algo nesse “O Artista do Desastre” que funcionou, esse foi a caracterização dos personagens, principalmente aqueles vistos em “The Room”, todos do elenco são muito parecidos com o da obra de 2003, a atriz que interpreta a mãe de Lisa (Carolyn Minnott) é idêntica a atriz do primeiro filme, assim como a própria Lisa (representada aqui por Ari Graynor).

Em determinados momentos, a semelhança física do elenco chega a confundir, fazendo o público pensar que aquelas são de fato as cenas de “The Room”, e as cenas com Tommy, mostram como a atuação de Franco foi competente, pois ele está igualzinho ao Tommy real, tanto fisicamente falando – o ator está musculoso – como em seu jeito de andar e falar, ambos meio arrastados, no jeito de se vestir e também nas características psicológicas.

Pois algo que “O Artista do Desastre” faz bem, é expor como “The Room” foi para frente e saiu do papel unicamente por causa do dinheiro de Tommy, dinheiro que ninguém sabe de onde vem, justamente esse ponto que leva o diretor, produtor e ator, a agir com pedantismo, prepotência, sob a desculpa de que os grandes diretores faziam isso.

Mas, se o grande mérito do filme é a caracterização e a semelhança física de cada um dos personagens, mostrar as cenas reais de “The Room” logo após o fim da obra e no início mostrar atores, atrizes e diretores de Hollywood falando sobre ela, é um ponto negativo, pois desconstrói muito rápido o filme de 2003, não levando o espectador a vê-lo e a constatar por si só como esse “O Artista do Desastre” foi fiel, fazendo quem assiste pensar “Ah, tá parecido mesmo, não vou assistir ‘The Room’ esse filme aqui é o suficiente”.

Portanto, “O Artista do Desastre” é um bom filme, com atuações competentes, caracterização perfeita e conta uma história interessante sobre um filme ruim, mas que diverte justamente por não negar ser ruim. E, um breve conselho, mesmo assistindo a esse filme, assistam “The Room”. 

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