5.2.18

Crítica: O Destino de uma Nação

O Destino de uma Nação
Imagem: UNIVERSAL PICTURES / Divulgação






Nos últimos dois anos, várias obras televisivas e cinematográficas foram lançadas sobre ou com Winston Churchill. A série “The Crown” da Netflix, onde ele é interpretado por John Lithgow, o filme “Churchill” com o personagem sendo representado por Brian Cox e esse “O Destino de uma Nação”, aqui ele é vivido por Gary Oldman.

Porém, apesar de sua história real e de uma figura que sempre consegue atrair atenção, “O Destino de uma Nação” não consegue ir para frente devido a erros básicos, presentes em sua estrutura e principalmente em seu roteiro.


Não que a maquiagem seja lá grande coisa, até porque a utilizada aqui está extremamente parecida com a de Anthony Hopkins em Hitchcock (E isso não é um elogio), porém, isso é algo a se relevar, pois o foco do filme é em uma figura icônica e não em seus aspectos técnicos. Dirigido por Joe Wright, a projeção conta a história dos primeiros meses de Churchill como Primeiro Ministro da Inglaterra, e esse fato coincide com a Segunda Guerra Mundial.

O filme segue uma estrutura episódica muito presente em filmes de época e em obras que tenha uma figura histórica de peso como personagem principal. Podemos perceber isso por algumas legendas explicativas desnecessárias e pela constante contagem dos dias passando, aparecendo na tela em uma fonte grande.

Junto a essa estrutura, o roteiro também não se esforça para tornar o filme plausível, incluindo vários personagens sem ao menos se preocupar em desenvolve-los, como Halifax (Stephen Dillane), pois mesmo apresentando um motivo fraco para recusar o cargo de maior poder em um país de peso, a justificativa ainda não parece convincente, principalmente se levarmos em consideração o tanto que ele briga para iniciar as negociações pelo acordo de paz (Algo que poderia ser facilmente encaminhado se ele tivesse aceitado),  e Miss Layton (Lily James), pois essa claramente tem um ente querido lutando na guerra, mas isso nunca é citado.

Logo, devido a essa falta de desenvolvimento, os diálogos são fracos porque os personagens que não se chamam Winston Churchill não sabem como conversar e aparentemente, nem motivos para isso existem. As linhas boas do roteiro são unicamente para Churchill, sem ele, o filme nem existiria devido a escassez de qualidade da escrita.

Oldman faz o público permanecer na projeção, com seu olhar sempre inquieto, a preocupação do ministro exposta no jeito de andar, as alterações bruscas de humor apenas por um motivo fútil. Tudo isso faz da atuação algo difícil, porém o ator faz parecer fácil, como se fosse simples interpretar uma figura histórica tão importante em um momento mundial tão difícil como foi a segunda guerra.

Mas até esse excesso de Churchill prejudica o filme, pois a partir do momento em que duas horas e quatro minutos de filme, tem Churchill na tela por quase uma hora e cinquenta minutos, confirma como o roteiro é vago, como os outros personagens são mal desenvolvidos e principalmente, como esse filme foi feito justamente para dar a Gary Oldman, um ator brilhante, um Oscar que ele não tem.

Portanto, “O Destino de uma Nação” é um filme esquecível, e que só vai ser lembrado se Oldman levar a estatueta, e convenhamos, a possibilidade de isso acontecer é bem alta. 

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