8.10.18

Crítica: Djon Africa

Djon Africa
Imagem: Vitrine Filmes / DIVULGAÇÃO
Um “road movie” apresenta uma proposta que em geral é a mesma: um personagem em uma jornada interna, decide viajar para se conhecer e descobrir coisas novas, assim, o público é convidado a perceber um lugar o enxergando pelos olhos do protagonista.

“Djon Africa”, dirigido por João Miller Guerra e Filipa Reis é exatamente isso, porém, com um ponto a mais: o local onde o filme se passa é em Cabo Verde, no continente africano, onde Tibars (interpretado por Miguel Moreira), está atrás de seu pai, que nunca conheceu e que vive no país, como pista, ele tem o nome de seu patriarca e a aparência, pois as pessoas dizem que o rapaz de 25 anos é parecidíssimo com o parente.


Os diretores usam a fotografia e o som para apresentar a jornada interna de Tibars – conhecido pelo nome título –, acrescentando o fato de ele ser imigrante de Cabo Verde e morador de Portugal, a viagem se torna não apenas para o rapaz se conhecer, mas também para conhecer o local de onde veio, “suas raízes”, como o próprio diz em certo momento.

A fotografia investe nas cores de Cabo Verde, que são as mais variadas devido a rica fauna e flora do local, verde, amarelo, laranja, tudo é muito vivo. Os planos, na sua maioria são gerais, aproveitando bem o formato de tela para expor a grandeza das paisagens e realizar um retrato social sobre as pessoas daquele país.

Para esse retrato, o que mais pesa é o som, já que as músicas do filme são todas tradicionais do Cabo Verde, graças a esse ponto, o estudo de sociedade e do personagem principal fica mais completo, pois o som domina o público de tal forma, que a imersão na cultura do local fica natural, até porque, é possível escutar todos os sons do ambiente, sejam os mais simples, como a fala dos personagens, até os mais complexos, como o vento e sons mais ambientais.

No que diz respeito a montagem, a obra mantem muito bem seu ritmo, devido a cortes concisos e a um roteiro bem escrito, que sabe seus limites e seus potenciais, mas, o filme tem uma mudança brusca de fluidez que lhe é prejudicial. No primeiro e segundo ato, vemos Tibars se conhecendo e cumprindo seu objetivo principal de forma objetiva e contemplativa, com planos que buscam apenas mostrar as paisagens que o rapaz vê, no terceiro ato, alguns planos sem sentido são construídos, apenas com as paisagens e não necessariamente onde o protagonista está, apostando no metafórico e na dedução do público para descobrir o que aconteceu e misturando sonho e realidade de tal forma, que não dá para discernir o que é um ou o que é o outro.

Assim, “Djon Africa” é um filme que funciona quando está contando sua história de forma simples, porém se perde ao querer torna-la mais complexa do que o necessário e investindo em um surrealismo não condizente com a projeção como um todo. Apesar disso, é interessante ver um road movie em um país dentro de um continente que tanto tem a oferecer culturalmente.

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