10.12.18

Crítica: Nasce uma Estrela

Nasce uma Estrela
Imagem: DIVULGAÇÃO
Pensar em “Nasce uma Estrela” é pensar em uma história clássica do cinema estadunidense. Com três versões, em 1937, 1954 e 1976, fora alguns prêmios importantes, o filme é uma história musical e vêm cativando o público mundo afora.

Em 2018, a quarta versão deste mesmo filme foi lançada, desta vez, a obra é dirigida por Bradley Cooper, um dos roteiristas e também o protagonista masculino da projeção. O filme relata a história de amor entre Jackson Maine (Cooper) e Ally (Lady Gaga), ele um artista de sucesso e ela uma artista com a carreira em ascensão. Com o amor dos dois, também vem os problemas e todos eles envolvem o alcoolismo e a personalidade difícil de Jackson.

O roteiro e a história da versão de 2018 busca usar esse alcoolismo como justificativa para as atitudes ruins que Jackson tem com Ally, mas, uma doença não justifica mal caratismo e talvez pior que isso, o filme tenta vender (e consegue) uma história de amor bonita e natural entre duas pessoas.

Esse roteiro, apesar de usar alcoolismo como força motriz da história – e não a música, como deveria ser – o trata de forma superficial e rápida, resumindo a séria doença em apenas umas cervejas tomadas e copos de vodca em alguns momentos. Essa superficialidade também é usada para mostrar a carreira de Ally antes do sucesso, resumindo toda uma trajetória em uma cena, a da apresentação no bar LGBTQI+.

Porém, o filme disfarça isso de forma a sermos levados a pensar que Ally é a protagonista, mas, na verdade, o que testemunhamos é a inveja de Jackson quando a cantora passa a ter sucesso, como se fosse um “você só pode ter sucesso se eu tiver”, logo, o que deveria ser um protagonismo feminino, se torna em uma obra que não tem um personagem principal fixo, mas que sabemos, no fim das contas, que esse seria Jackson.

O que é uma pena, pois apesar de um roteiro apressado e mal desenvolvido, o filme conta com pontos positivos, a fotografia – do sempre ótimo Matthew Libatique, colaborador habitual de Darren Aronofsky (“Cisne Negro”, “mãe”) – dá o ar necessário de que estamos em um show, com luzes claras e cores diversas aparecendo de maneira orgânica, as músicas – principalmente “Shallow”, que deve concorrer ao Oscar de Melhor Canção Original – funcionam da forma necessária para o que a obra tenta propor.

Mas, a melhor coisa do filme é a atuação de Lady Gaga, que mesmo com um roteiro ruim e que não permite que ela seja a protagonista que merece ser, aproveita bem o tempo de tela para estabelecer bem os sentimentos, sejam eles quais forem, sem esquecer, claro, que as melhores cenas musicais do filme são aquelas em que ela aparece em performance solo, em um momento só dela.

Portanto, “Nasce uma Estrela” tenta estabelecer uma relação sentimental que não existe, por ser uma relação ruim para uma das partes – como muitas das que, infelizmente, sabemos que acontece - , disfarça a maldade usando uma doença que atinge muitas pessoas e não está nem perto de ser a melhor versão das quatro já lançadas. E, bom, porque não, ao invés de fazer mais um remake (ou reboot), filmar uma história inédita e criar um novo clássico, apostando no novo e original? Acho que fica para próxima.

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