31.1.19

Crítica: Bohemian Rhapsody

Bohemian Rhapsody
Imagem: DIVULGAÇÃO

Pensar em “Queen” é automaticamente pensar em Freddie Mercury. Apesar de a banda ser composta por outros músicos tão competentes quanto o vocalista, “Queen” se tornou emblemático graças a Mercury e, porque não dizer isso, de sua história pessoal, parte dela alguns de nós já conhecemos.

Dirigido por Bryan Singer (que sobrenome ideal), escrito por Anthony McCarten, a obra conta a história de Mercury (Rami Malek), um homem adulto que encontra em Brian May (Gwilym Lee), Roger Taylor (Ben Hardy) e John Deacon (Joseph Mazzello) companheiros de banda ideais para o sucesso, além disso, vemos um pouco mais da vida amorosa de Mercury, tanto pelo papel de Mary (Lucy Boynton), quanto por tudo aquilo que a maioria de nós, fãs ou não, sabemos.

A obra tem pontos positivos, como o elenco e a edição, porém, também tem pontos negativos, como o roteiro, que usa muitos dos clichês típicos de filmes biográficos e a duração, que poderia ter sido menor para o filme ter mais ritmo e harmonia entre os atos.

Essa harmonia existe mas não de forma total, já que a edição do filme é tão boa que a obra passa a impressão de ter ritmo, porém, o roteiro não é bem dividido em relação aos atos, ou seja, com exceção de quando Freddie passa a levar a vida apenas focando em festas e consumo de álcool e drogas e do momento em que descobrimos que ele está com AIDS, o filme não tem nenhuma situação que possa ser descrita como uma “problemática”, capaz de gerar um clímax bem construído e um desfecho que feche os arcos.

Com a falta disso, o roteiro se rende aos clichês típicos de filmes biográficos, como a utilização de um grande flashback para iniciar a obra, os personagens que não tem nenhum motivo para odiar o protagonista, mas odeiam, alguns diálogos pobres que não se mantem e cenas que poderiam ser cortadas, como, por exemplo, os momentos que as pessoas, fora do Wembley, curtem a apresentação no Live Aid, os únicos que poderiam ser de fatos mostrados, seriam a família de Mercury. Sem esquecer da cronologia errada, como músicas lançadas após o Live Aid que foram mostradas antes, o ano do Rock in Rio e outras coisas que apenas foram inseridas lá, sem preocupação com ser fiel ao momento em que os fatos ocorreram.

Tudo é compensado pela edição e pelo bom desempenho do elenco. A edição é perfeita ao realizar a transição das cenas de diálogos para as cenas de shows, usando apenas a música, seja pela composição, gravação ou execução desta em algum momento, a passagem é feita apenas pelo som, de forma que o público nem percebe o corte seco que foi realizado ali. Esse aspecto técnico também influencia nos movimentos de câmera durante os shows, de forma que a câmera foca na banda toda e não apenas em Mercury, com cortes bem encaixados, ângulos diversos – não vemos a apresentação apenas do ponto de vista que uma câmera televisiva nos daria, por exemplo – e claro, ajuda o elenco a potencializar suas performances.

Performances que são muito boas, Boynton como Mary, primeiro amor de Freddie que o filme mostra e mulher que foi casada com o cantor, mostra como o sentimento dela por ele nunca morreu, apenas mudou e a amizade deles era necessária para Mercury, Gwilym Lee como Brian May faz o seu personagem divertido, servindo até como alivio cômico em certos momentos, Ben Hardy faz Roger Taylor não apenas o gênio da bateria, mas um homem multifacetado e focado com a banda, assim como Joseph Mazzello faz John Deacon não apenas um baixista talentoso, mas um homem preocupado com o futuro.

Mas, claro que o destaque fica para a performance de Rami Malek que consegue ser fiel a Freddie Mercury, ao mesmo tempo em que é natural em todos os trejeitos, voz e personalidade. O ator ficou completamente imerso dentro do personagem, dando a impressão de estarmos vendo o vocalista de fato, além da semelhança física, que ajudou bastante. Junto a isso, fica claro que Malek enriquece seu desempenho usando o trabalho de seus colegas de elenco, o que é muito bom, pois o papel fica mais natural.

Logo, “Bohemian Rhapsody” tem seus erros, porém, é um filme bacana de assistir, seja pelas músicas, pelas atuações, pela edição, ou apenas por conseguirmos ver de forma fiel um pouco da história de um dos grandes músicos da história, que nunca foi esquecido e nunca será, tanto pela sua carreira, quanto por esse filme.

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