11.3.19

Crítica: Suprema

Suprema
Imagem: Diamond Films / DIVULGAÇÃO
Recentemente, Ruth Bader Ginsburg, advogada e primeira mulher a fazer parte da Suprema Corte dos EUA, está bem presente no audiovisual, graças ao documentário “RBG”, que concorreu ao Oscar e no filme “Suprema”. Este último, é um drama biográfico, onde acompanhamos a trajetória de Ginsburg desde a faculdade até o julgamento do primeiro caso defendido por ela em um tribunal.

Dirigido por Mimi Leder (de “A Corrente do Bem” e muitos episódios da série “The Leftovers”), vemos Ruth, interpretada por Felicity Jones, e sua história de luta e vontade de prosperar. Casada com outro advogado, Martin (Armie Hammer de “Me Chame pelo seu nome”), o filme foca em Ruth dividindo suas atenções entre família e trabalho, cuidar dos filhos e preparar as aulas para seus alunos, além do caso que está envolvida.

O filme usa sua montagem de forma mediana no que diz respeito ao estabelecer ritmo. As cenas são bem feitas e concretizadas de forma a ficar sempre claro para o público, mesmo o leigo em direito, o que exatamente está acontecendo na história, porém, as passagens de tempo são apressadas, cinco anos se passam em um curto intervalo de 10 minutos entre uma cena e outra, 11 anos se passam após esse ínterim citado em 15 minutos.

Isso expõe como o filme se prepara apenas para o terceiro ato, que consiste na cena do tribunal e da defesa realizada por Ruth, inclusive, o discurso dela para os juízes era o mais longo de uma mulher naquele período, a projeção usa cortes secos quando outras mulheres falam, para que o discurso delas dure menos que o de Ruth na cena do caso.

Essa prática foi desnecessária e contribui para o mantenimento do clichê que a atuação de Felicity Jones tenta desconstruir a todo momento, seja nas cenas que se passam com o marido, nas aulas ou na criação da filha, ela é uma mulher forte, que valoriza, respeita e escuta outras mulheres.

A trilha sonora também renasce o clichê, assim como os cortes secos da montagem, já que a música não tem nenhum objetivo, a não ser o de emocionar o espectador e o de indicar que algo está prestes a dar certo na obra, como a cena do tribunal deixa bem claro, nesse caso, isso também fica exposto pelo meio sorriso dos três juízes que avaliam o caso.

Mas, se a trilha e a montagem contribuem para o clichê, é bacana notar na preocupação de colocar Ruth frequentemente usando azul, uma cor que nos Estados Unidos é frequentemente ligada a causas progressistas. Vários dos figurinos, muito bem feitos, tem a cor em questão sendo o tom dominante na roupa.

Logo, o filme tenta, mas não consegue sair dos clichês nos quais se coloca e que a própria projeção constrói. Assim, “Suprema” vale o ingresso por sua representatividade, por vermos uma mulher que prosperou quando a sociedade luta contra esse tipo de coisa. O filme inspira meninas por aí a serem justamente o que Ruth Bader Ginsburg é, exatamente o que ela quis.

Veja o trailer, o filme é distribuído pela Diamond Films:



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