14.11.19

Crítica: Azougue Nazaré

Azougue Nazaré
Imagem: Inquieta Cine / DIVULGAÇÃO
Em um país como o Brasil é comum que tenham várias culturas dentro da sociedade, cabem as pessoas escolher ou não uma delas para seguir. No caso de Nazaré da Mata, local onde se passa o filme “Azougue Nazaré” a cidade se divide entre pessoas católicas e aquelas que praticam o Maracatu, uma dança que mistura culturas indígenas e africanas em sua maioria.

Dirigido e co escrito por Tiago Melo, acompanhamos a história de habitantes da cidade citada acima, quando a sociedade se vê em meio a um mistério sobrenatural. No centro disso estão as crenças católicas de um grupo, liderado pelo Pastor (Mestre Barachinha) e o Maracatu, cujo integrante Catita (Valmir do Côco) participa ativamente, o que incomoda sua mulher Darlene, que tenta converter o marido para o catolicismo. 

O filme usa as várias histórias dos vários habitantes da cidade para mostrar como a crença em algo, independente do que esse algo seja, influencia as pessoas de forma positiva ou negativa, ao mesmo tempo que mostra como essa crença causa um conflito na cidade apenas pelo fato de o outro lado da história ser algo de origem indígena e africana.

Por isso que o uso de vários personagens, por mais que foque em Catita e na sua esposa, é uma decisão acertada de Melo, pois todas as pessoas são cercadas por ideias de um dos polos apresentados e isso aumenta quanto mais próximo fica o carnaval, que apesar de não ser uma festa criada no Brasil, foi adaptada pelo povo com o uso de costumes indígenas e africanos.

É justamente a festa mais popular do nosso país que gera o conflito na cidade, já que o mistério sobrenatural aumenta devido ao carnaval e as pessoas podem usar isso como desculpa para atos criminosos. E é a festa que afeta ainda mais o casamento de Catita com Darlene, já que ela insiste em querer que ele saia do Maracatu e aceite jesus como seu salvador.

Porém, como o roteiro diz através do bom estabelecimento na relação entre personagens e em um dialogo especifico no qual é perguntado para Catita “você aceita Jesus?” e ele diz “eu nunca o neguei”, as tentativas de converter uma outra pessoa a acreditar em algo além de invasivas, são erradas.

Até porque, talvez acreditar em algo não negue a possibilidade de acreditar em outra coisa diferente e como Catita deixa bem claro em certa cena, as religiões organizadas dividem muito mais do que aproximam as pessoas e é notável como Valmir do Coco passa isso em sua interpretação, usando bem a expressão e o Maracatu para expor seus pensamentos.

Com referencias pontuais ao neorrealismo italiano – reparem como os atores ali são de fato moradores da cidade e a movimentação de câmera – “Azougue Nazaré” até deixa certas pontas a se amarrar, por que afinal o que eram as coisas sobrenaturais que vemos? Mas ainda assim, leva o público a refletir sobre o papel da religião na sociedade e sobre a presença de costumes das matrizes indígenas e africanas na formação do Brasil e por isso é um ótimo filme.

Veja o trailer aqui, filme distribuído por Inquieta Cine:

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