18.5.20

Crítica: Até logo, meu filho

Até logo, meu filho
Imagem: DIVULGAÇÃO
A sociedade muda constantemente e para as pessoas conseguirem viver elas também que mudar, pois na medida que a história avança, caso a pessoa não mude, ela acaba ficando para trás e se tem um filme que mostra isso bem, esse é “Até logo, meu filho”, pois nele acompanhamos uma jornada que dura 30 anos na China e vemos como eles mudaram nesse tempo.

Os protagonistas do filme dirigido e co-escrito por Wang Xiaoshuai é o casal Yaojun (Jingchun Wang) e Lijun (Mei Yong). Operários de uma fábrica durante o período de Mao Tsé-Tung no comando do país, eles perdem um filho após um acidente. A obra acompanha a jornada dos dois tentando superar esse fato ao longo dos 30 anos citados acima.

Essa jornada é cheia de altos e baixos, assim como as vidas de todos nós e o filme faz questão de deixar isso claro durante as 3h05 de projeção. Pois, se tem algo que passa, esse algo é o tempo, que é aquilo que justifica as atitudes boas e ruins que os protagonistas tomam ao longo da projeção.

As atitudes são mostradas não por ordem cronológica e sim através de uma montagem alternada, que liga os fatos usando os sentimentos que eles geram nos personagens. Como, por exemplo, um fato triste no passado e outro completamente diferente, mas igualmente triste, no presente, sendo que ambos estão ligados pela culpa que um dos protagonistas sentem.

Retratar os sentimentos assim é algo que faz jus a complexidade dos fatos apresentados e principalmente, a como os protagonistas reagem a morte do filho e as atitudes que eles tomam após isso. Fora que, ao mesmo tempo em que as coisas acontecem, vemos como o luto desse casal é, claro, muito mais importante para eles do que o momento histórico no qual isso aconteceu.

É nisso que o filme ganha, pois, ao dar mais dimensão ao luto do que a sociedade mudando devido ao cenário político, a obra mostra que a vida pode ser tudo, menos política, até a tristeza e a solidão podem assumir (e normalmente assumem) um papel mais relevante em nossos cotidianos do que esta temática.

Logo, a cena na qual uma certa personagem é obrigada a abortar devido a medida do governo chinês que impedem os casais de terem mais de um filho, só ganha relevância devido a um fato que já sabemos que irá acontecer devido a montagem alternada e não porque o filme quer contar uma história focada na China daquela época.

Devido a essa cena em especifico (e a uma outra que não posso me aprofundar), o título da obra ganha um novo sentido, que é muito mais profundo do que o fato que dá ponto de partida a história, o que é mais um exemplo de como a alternância entre passado e presente funciona na obra para tratar de temas pessoais.

Assim, não há dúvida que por mais que Yaojun e Lijun tentem esquecer a morte do filho, eles nunca conseguirão isso, pois esse fato os formou como pessoas e graças a isso foi que eles conseguiram se adaptar as diversas mudanças impostas pela política chinesa e que, a um preço altíssimo, os uniu ainda mais como casal e como amigos.

“Até logo, meu filho” é um filme sobre tristeza e solidão, mas acima de tudo é um filme sobre tempo. E focar em como esse tempo passa e em como as pessoas gastam esse tempo é o grande trunfo de um dos filmes mais reais feitos recentemente.

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