30.11.20

Crítica: Valentina

Valentina
Imagem: DIVULGAÇÃO 

As vezes, o espectador é levado a pensar que filmes sobre negros, LGBTQIA+ e mulheres, são obras que contam histórias de sofrimento passados por essas pessoas e superados ou não por elas. Isso acontece devido a um sistema que usa essas pessoas para vender e apenas para isso, não para contar histórias de fato. Sendo assim, assistir "Valentina" é um alívio, pois claro, assim como toda pessoa, a protagonista tem problemas e problemas sérios, mas, o que vemos é pura e simplesmente vida.

Vida de uma menina trans que quer, novamente, assim como toda pessoa, viver. Dirigido e escrito por Cássio Pereira dos Santos, acompanhamos a personagem título (interpretada por Thiessa Woinbackk), quando essa se muda para uma nova cidade e precisa do pai desaparecido para poder se matricular com o nome social na nova escola.

É bonito ver como os quadros sóbrios e a casa simples, são preenchidos com a personalidade viva de Valentina, que alegre e inteligente, ela é quem é e busca ser isso em paz. Mas, claro que não funciona assim e o filme, apesar de não ter o foco na LGBTFobia, aborda o assunto, pois infelizmente é necessário que seja abordado, pois, quando algo sério é refletido na arte, as pessoas aprendem sobre esse problema e, esperamos, evoluem. 

Essa alternância de assuntos só é possível graças a direção hábil de Pereira dos Santos, que desenvolve bem os seus personagens e trata de diversos assuntos - reparem como a amiga dela é inteligentíssima, mas não sabe se vai terminar o ensino médio devido a gravidez e não ter apoio, por exemplo - mas também devido ao ritmo da obra, que nunca deixa o filme ser tedioso para o espectador. 

Porém, o destaque vai para Thiessa Woinbackk, que com sua atuação consegue mostrar como a vida é mais que luta, é também vida. As festas com os amigos, a relação com a mãe (Guta Stresser, ótima), a atenção nas aulas na escola. Até porque, por mais que ela tenha sofrido muito e por mais que ela, assim como todos nós, viva em uma sociedade extremamente preconceituosa e agressiva, ainda assim, ela encontra coisas boas para se apoiar.

No fim, são essas coisas boas o que de fato importam e claro que a LGBTFobia não pode e nem deve ser esquecida, porém, para seguirmos na luta, é preciso ter algo bom também e "Valentina" mostra que por incrível que pareça, por mais difícil que seja, há saída, mesmo que seja difícil encontrar e mesmo que a vida seja a porta assustadora da escola da protagonista, lá dentro, o seu nome vai estar na lista de chamada.

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