2/24/2026 02:53:00 PM

Crítica: A história do som

Crítica: A história do som
Imagem: Imagem Filmes/Mubi Brasil/Divulgação

Texto escrito por Thiago Nunes 

Lionel Worthing (Paul Mescal) é um rapaz reprimido que não encontra compreensão no ambiente em que vive, a fazenda de sua família no Kentucky, nos Estados Unidos.

Lionel é um homem gay que, além de não poder exercer sua sexualidade, afinal estamos em 1917, percebe o mundo de um jeito muito particular. Para ele, os sons têm vida. Ganham cores, formas e despertam sensações.

1/26/2026 11:44:00 AM

Crítica: Avatar - Fogo e Cinzas

Crítica: Avatar - Fogo e Cinzas
Avatar - Fogo e Cinzas
Imagem: Disney/DIVULGAÇÃO 

Com início imediatamente após o final do segundo filme, fica claro o motivo de James Cameron ter filmado os filmes 2 e 3 da franquia juntos. A ideia era a continuidade, se o segundo filme é sobre ter algo a perder, o terceiro filme é lidar com o luto. 

Aqui, a família Sully precisa, ao mesmo tempo em que lida com essa perda, enfrentar Varang, uma Na'Vi que renegou a entidade religiosa de Pandora. Sem esquecer de Miles Quaritch, que ainda caça Jake.

7/08/2025 06:29:00 PM

Crítica: Superman

Crítica: Superman
Superman
Imagem: DIVULGAÇÃO 

Texto escrito por Deivid Purificação 


Se Superman – O Retorno era um filme-tese que surgia nos EUA pós-11 de setembro para questionar se o mundo ainda precisava de um herói, 19 anos depois o filme de James Gunn vem não só para responder que sim, ainda precisamos dele, como também para apontar a quem ele serve.

Gunn ambienta o longa numa realidade bem diferente da dos filmes do Christopher Reeve e do Bryan Singer. Isso aparece tanto no contexto diegético, com um cenário alternativo no qual meta-humanos já existem há mais de cem anos, quanto no contexto cinematográfico. Hoje, o fenômeno dos super-heróis domina as telonas há mais de uma década, e em meio à pressão para inaugurar um novo universo, Kal-El se vê numa crise de dever que espelha perfeitamente o papel do próprio diretor. Ambos precisam definir suas identidades e se perguntar se o que fazem é pelo mundo ou por eles mesmos.

5/19/2025 05:44:00 PM

Crítica: Missão Impossível - Acerto Final

Crítica: Missão Impossível - Acerto Final

Crítica: Missão Impossível - Acerto Final


“Vivemos e morremos nas sombras, por aqueles que conhecemos e por aqueles que não conhecemos.”

Nos últimos anos, Tom Cruise estrelou três filmes de grande orçamento. “Top Gun: Maverick”, “Missão Impossível: Acerto de Contas” e o filme assunto desse texto, “Missão Impossível: Acerto Final”. Os dois últimos dirigidos por Christopher McQuarrie e com envolvimento do ator em sua produção. 


Tanto “Top Gun: Maverick” quanto “Missão Impossível: Acerto Final” falam sobre o tempo e como ele inevitavelmente passa. No filme 8 e último da franquia de ação que iniciou em 1996, Ethan Hunt continua em sua luta para destruir a Entidade, a inteligência artificial que dominou o mundo. Ele e sua equipe estão sem tempo, já que tem apenas três dias para impedir um lançamento em massa de bombas nucleares. 

Hunt nunca foi considerado tão ultrapassado e não confiável como nesse filme, o que é interessante, já que o principal ponto de apoio em um mundo tomado pela tecnologia, seja o nosso ou o do filme, são as pessoas e as relações reais entre elas, pois essa é a única certeza que temos do que está sendo falado e transmitido para nós.

McQuarrie entende que a equipe apenas pode confiar um no outro apesar de cada um ter os seus próprios interesses. Eles não têm opção, ou confiam neles mesmos e nos sentimentos deles e dos companheiros (que são muitos, mas principalmente medo, tensão e apreensão) e usam isso como arma para salvar o mundo ou eles morrem sem confiar nas pessoas ao redor e no que estão sentindo.

E é justamente nessa confiança que entra o silêncio, tão bem utilizado pelo diretor em “Acerto de Contas”. Se no filme anterior a ausência de diálogos em certas cenas representava um roubo ou uma mudança na ação - a cena de Roma, por exemplo - em “Acerto Final” ele representa a tensão que a ação constrói e a confiança que a equipe tem neles mesmos.

Crítica: Missão Impossível - Acerto Final

Tal qual Robert Bresson em “O Batedor de Carteiras”, o silêncio é usado para trazer o impacto do barulho quando esse surge. A confiança da equipe é toda colocada a prova na cena do mergulho, que além de longa, é toda silenciosa, ali sentimos (o público) junto com Ethan e equipe, a tensão que está inserida naquele ambiente. Precisamos confiar nele para confiarmos na ação e nos envolvermos com o filme.

Essa tensão não era repetida nesse alto nível desde “Missão Impossível: Fallout”, um filme brilhante que é toda uma grande sequência de ação. Em “Acerto final” a ação é concentrada, assim como nos outros filmes da franquia, em uma grande cena, mas a tensão é a mesma do filme 6 devido à falta de tempo que os personagens têm para salvar o mundo. 

O diretor usa muito bem aspectos de outros filmes da franquia, não apenas de Fallout. O terceiro filme da franquia nos apresenta talvez o seu pior capitulo. J.J Abrams não é um bom diretor e tem escolhas altamente questionáveis, uma delas é ter uma grande cena de ação, mas escolher não mostrá-la, ao invés disso vemos dois personagens secundários em um carro esperando Ethan roubar o pé de coelho, o que nos leva a outra escolha ruim, nunca sabemos exatamente o que o personagem está roubando. 

McQuarrie não apenas corrige isso, como traz sentido para a adaptação dessas escolhas dentro da história de confiança que está contando. Ele mostra como é possível fazer uma cena de ação sem o espectador ver a ação - quando Ethan salva Grace (Hayley Atwell) de um torturador e vemos a morte deste pela expressão da atriz e ouvimos os sons - e como o roubo do pé de coelho foi importante, não apenas para Ethan salvar sua esposa, mas também para o futuro da Entidade. 

Esse futuro envolve coisas não hackeaveis e hoje em dia, a única coisa não hackeavel são as pessoas e o único filme da franquia que apresenta algo assim é o primeiro filme. O roubo da lista NOC envolvia não algo super tecnológico ou avançado, mas sim lidar com pessoas e no caso, a pessoa era William Donloe. O seu retorno a saga mostra novamente a ideia de confiança, ele perde a confiança da CIA após o filme 1, toda sua vida muda e continuamente reforça o traço da direção de McQuarrie, entender que contra a tecnologia, o mais importante são as pessoas.

Não vivemos apenas por nós, vivemos principalmente por nós, mas também pelos outros. Vivemos por nossas famílias, amigos, mas também de forma coletiva. Claro que no filme isso é mostrado com o salvar o mundo, mas na vida real isso é muito mais simples, são as coisas pequenas, que vão desde não jogar lixo na rua, ceder um assento no transporte coletivo para alguém que precisa mais do que a gente, coisas do tipo mostram nossa confiança em uma sociedade melhor. 

Todas as missões levaram a essa, assim como as nossas escolhas nos levam a algo. O importante é muitas vezes o meio do caminho, as coisas pequenas dentro dele. Para Ethan Hunt, foi o que ele encontrou na caça (com perdão do trocadilho) constante a bandidos, uma amizade para a vida toda com Luther (Ving Rhames), amores genuínos com Julia (Michelle Monaghan), Ilsa (Rebecca Ferguson nos filmes anteriores) e Grace, confiança com Benji (Simon Pegg), esses pequenos passos na vida dele foram aqueles que realmente importam.

E a vida para esses personagens continua, para o público também continua e mesmo que a franquia tenha acabado, tudo tem que ter um final, ela continuará para sempre no imaginário das pessoas que gostam nem que seja um pouquinho do bom cinema de ação.

4/19/2025 05:22:00 PM

Filmes e séries sobre nada - uma reflexão sobre Killer of Sheep

Filmes e séries sobre nada - uma reflexão sobre Killer of Sheep
Killer of Sheep



A primeira vez que assisti "Killer of Sheep" pensei o que soube depois que muita gente também pensa, que é um filme onde nada acontece, por esse motivo, achei o filme chato, tedioso.

Porém, quando nada acontece é exatamente quando tudo acontece, a vida está no processo e não no objetivo ou fim. E com o passar dos anos percebi estar procurando isso nas coisas que eu vejo.

O filme de Charles Burnett é a obra perfeita sobre “nada”. E acho que ver a vida de Stan por 1h20 é um bom exercício, pois várias dúvidas surgem. O que realmente importa? A união daquela família ou a nossa vontade de ver algo acontecer? Que nesse caso, seria alguma briga entre o casal. Stan dançando com a esposa ou um algo “grandioso” acontecendo?

Nós, como sociedade, sempre esperamos algo grande e incrível e com isso, acabamos esquecendo de que esse algo maravilhoso está nos momentos pequenos entre o começo e o fim. Não a toa, o modo de consumo audiovisual mudou, porque o espectador perdeu a paciência com o processo e se tornou mais ansioso.

Séries muito comuns nos anos 2000, como Lost, Gilmore Girls, O.C, que usavam fillers para o espectador ver o processo daqueles personagens, o crescimento ou não deles, o caminho percorrido e que tem mais de 10 episódios por temporada, deram lugar a produções onde “tudo” acontece, mas esquecemos desse “tudo” logo após acabarmos de assistir.

Killer of Sheep



E essas séries, assim como “Killer of Sheep” remontam a esse tempo onde nós como pessoas e espectadores nos importavamos mais com o caminho do que com aquilo que acontece no final dele. 

Os meninos brincando na rua e correndo entre os prédios, a dinâmica do trabalho, onde inevitavelmente nos perguntamos “quem é o assassino (Killer) e quem é a ovelha? (sheep)”, a ida a corrida que dá errado, mesmo nas falhas há pequenas alegrias que Burnett nos mostra com maestria.

Lembro até hoje de quando o final de “How i met your mother” foi ao ar. O episódio final dizia em sua mensagem que o processo vale mais que o final dele e o público achou isso ridículo, porém, por mais que a série seja ruim, a mensagem está certa, o final dura segundos, o processo dura muito mais tempo.

Killer of Sheep



É interessante como Charles Burnett realmente foi um precursor nessa forma de contar histórias e mais do que isso, usar a cidade de Los Angeles para contar essa história e principalmente, uma família e vizinhança negra. Não é um processo e um “nada” qualquer que vemos, é algo específicamente negro, muito próximo ao que acontece em bairros periféricos do Brasil.

O mais legal? Felizmente Burnett foi um precursor e não o único a contar histórias do tipo através de uma família negra. Hoje em dia temos a Filmes de Plástico com filmes como “Ela volta na quinta”, “O dia que te conheci”, “Marte Um”, onde vemos esse cotidiano e as pequenas alegrias e tristezas contidas ali. 

Stan foi sim a origem, mesmo que inconscientemente, de personagens como Ryan Atwood, Rory Gilmore, todos aqueles na ilha em Lost, mas mais que isso ele foi o ponto de partida inicial de Zeca, Deivinho, Hirayama (Dias Perfeitos) e vários outros personagens em filmes e séries sobre “nada”.

E tudo isso, é só parte do processo audiovisual e não o final dele. Talvez nós nem estejamos aqui para ver esse final, eu espero que não tenha final, porém o começo foi com Stan, Charles Burnett e seu “Killer of Sheep”.

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