15.1.18

Crítica: Lady Bird

Lady Bird
Imagem: Universal Pictures / Divulgação




Algo recorrente nos filmes é o crescimento, seja psicológico ou físico, de um personagem principal, a sétima arte gosta de expor a evolução, os erros e os acertos no caminho, mas principalmente os aprendizados, estes costumam ser o foco da obra, seja qual for e independente da idade do protagonista.

Isso já foi feito várias vezes no cinema, a saga “Antoine Doinel” de François Truffaut e mais recente “Boyhood – Da infância a juventude” de Richard Linklater, são bons exemplos disso. Mas “Lady Bird”, consegue não soar repetitivo, mesmo que o seu tema seja algo batido hoje em dia.


Dirigido por Greta Gerwig – atriz, conhecida pelos filmes “Frances Ha” e “Lola Contra o Mundo” – e esta é a sua estreia na direção, a obra conta a história de Christine “Lady Bird” McPherson (interpretada por Saoirse Ronan, de “Brooklyn”). Uma aluna em seu último ano de ensino médio, acompanhamos sua jornada rumo a faculdade, que conta com várias descobertas e primeiras experiências no meio do caminho.

O ponto alto do filme sem dúvida alguma é a sua sensibilidade, principalmente para as pessoas com a situação financeira e de vida similar a de Christine. A empatia se torna fácil devido a isso e também por conta da proximidade da câmera dos personagens, estando sempre perto de cada um deles, independente do seu grau de importância, podemos perceber como a personagem principal os enxerga e como ela pode agir em relação a eles.

Justamente nesse modo de agir, nas atitudes dela, é onde os diálogos focam, pois na maioria das situações, por ser uma personagem em crescimento, ela expõe isso em suas falas, e assim, as conversas entre ela e a amiga Julie, e principalmente, entre ela e a mãe Marion (Lauren Metcalf), onde moram as melhores cenas do filme.

Além disso, os diálogos são bem encaixados com a montagem alternada em alguns momentos, fazendo as falas se tornarem narrações de acontecimentos passados ou futuros – a cena mais comovente é montada dessa maneira – e com a câmera próxima, a sensibilidade criada pelas falas e pela trilha sonora musical leve se potencializa de maneira simples, natural, sem em nenhum momento se tornar forçada.

Mas, um aspecto essencial para a sensibilidade funcionar, são as atuações, Saoirse Ronan e Lauren Metcalf oferecem grandes desempenhos aqui. A primeira prova a facilidade de se adaptar a qualquer tipo de papel, se em “Brooklyn” ela é a uma jovem adulta saindo da zona de conforto, aqui ela é uma adolescente iniciando o processo de transferência para a vida adulta, e isso fica claro em seu visual, mais magra e com olhar juvenil, ela convence em passar uma imagem da adolescente que é a sua personagem, e usa isso em suas explosões de raiva, em seus choros e nas risadas escandalosas e acrescentando a isso, Ronan consegue passar muito bem as atitudes juvenis da personagem, pois as escolhas dela, como largar a melhor amiga para tentar impressionar outra pessoa, preferir não ser ela e assim, aprendendo que o caminho correto em qualquer momento, é ser sempre ela mesma

Por outro lado, Laurie Metcalf com seu olhar frio e ao mesmo tempo afetuoso, deixa bem claro que ama a filha, mas realiza sacrifícios altos (tanto ela como o pai) para conseguirem viver com o mínimo possível, e apesar de grossa e de atitudes passiva – agressiva em alguns momentos, o amor dela pela família nunca fica em xeque.

Portanto, em seu primeiro filme na direção, Greta Gerwig estreia bem, mostrando habilidade técnica, roteiro bem escrito e sem brechas, ousadia em determinados pontos e principalmente, sensibilidade para expor uma história que não é fácil em nenhum momento, mesmo com as risadas altas e agradáveis de Lady Bird. 

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